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Guterres: “Sem uma conversa séria e racional sem esquizofrenia sobre migrações, não será possível cumprir a agenda 2030”

MIGUEL A. LOPES/LUSA

António Guterres lançou a reunião Tidewater 2017 em Lisboa com a sua visão sobre a Agenda 2030. O secretário-geral das Nações Unidas sublinhou na sua primeira visita oficial a Portugal a importância de fatores como o desemprego jovem, a mobilidade humana e a igualdade de género na agenda do desenvolvimento e segurança global

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

"O desenvolvimento sustentável e a agenda da paz" são fatores indissociáveis para a concretização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) ou Agenda 2030, disse António Guterres. "O desemprego jovem não só é uma tragédia em si para os jovens como uma das mais sérias ameças à nossa segurança", desenvolveu o secretário-geral das Nações Unidas na sua primeira visita oficial a Portugal. Guterres apontou o desemprego como o primeiro dos fatores das sociedades capazes de comprometer o desenvolvimento sustentável se não se investir na sua prevenção. O segundo é a "desigualdade de género" nas sociedades, a qual impede milhões de mulheres de participarem nos "processos de paz e de consolidação da paz" em todo o mundo.

Sublinhando o apreço por esta primeira oportunidade em seis meses – desde a tomada de posse como secretário-geral das Nações Unidas – de falar na sua língua, durante o discurso desta manhã em Lisboa de lançamento da 49ª reunião Tidewater António Guterres referiu a Agenda 2030, o objeto de reflexão desta reunião a alto nível internacional, como uma "ligação indissociável ao mundo" nas suas vertentes de "desenvolvimento inclusivo, sustentável" e como resposta às "ameaças à paz e segurança" feitas pelo terrorismo global.

O "combate à fragilidade" é outro ponto essencial avançado por Guterres para a concretização dos ODS o que, segundo defende, implica todos os 17 objetivos da Agenda 2030 e não apenas o que diz diretamente respeito à boa governação e capacitação dos Estados.

"O desenvolvimento sustentável e inclusivo é um fator fundamental na prevenção de conflitos, um fator central em relação à resiliência das sociedades quando pensamos em desastres naturais e outras ameaças que temos de ter em conta no mundo moderno", disse.

"Não me parece possível que os países europeus tenham sustentabilidade no futuro sem as migrações", disse o secretário-geral da ONU, insistindo que a Agenda 2030 não terá possibilidade de ser concretizada se "os Acordos de Paris não forem concretizados" nem se não "conseguirmos ter uma conversa séria e racional que evite a esquizofrenia" perante as migrações". A "mobilidade humana" é um elemento fundamental da cooperação para o desenvolvimento, insistiu, continuando: "Os Estados não têm oferecido condições às pessoas para que migrem por opção e não por necessidade extrema".

A reunião Tidewater 2017 é a mais concorrida desde a primeira. Este encontro internacional anual de alto nível reúne informalmente durante dois dias, e sem anúncio de conclusões, ministros para o Desenvolvimento de países da OCDE e responsáveis das principais agências e bancos de desenvolvimento mutilaterais. O objetivo é uma reflexão estratégica sobre os principais temas da agenda da cooperação para o desenvolvimento.

Este ano, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Teresa Ribeiro, e a presidente do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da OCDE, Petri Gornitzka, associaram-se para realizar a sessão em Portugal.