Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

China acusa EUA de “provocação” perante envio de novo navio de guerra para o Mar do Sul da China

No final de 2015, Obama destacou o USS Stethem para a região — aqui atracado num porto de Xangai

JOHANNES EISELE

Destroyer USS Stethem navegou a menos de 12 milhas náuticas da disputada ilha Triton, num claro indicador de que os norte-americanos não reconhecem a soberania reclamada por Pequim

Pequim classificou ontem a presença de um navio de guerra norte-americano perto de uma das disputadas ilhas do Mar do Sul da China como uma "provocação militar e política séria", destacando embarcações militares e caças para sobrevoarem essa ilha, a Triton, parte do arquipélago Paracel, que é reivindicado pela China e por outros países da região.

O envio do USS Stethem para as disputadas águas aconteceu horas antes de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter falado ao telefone com o homólogo chinês, Xi Jingping — com Xi a dizer a Trump que existem "fatores negativos" a afetar as relações entre os dois países, de acordo com uma transcrição da conversa lida na televisão estatal chinesa no domingo.

Em comunicado, a Casa Branca não referiu se o mais recente incidente no Mar do Sul da China foi debatido pelos dois líderes nessa chamada, dizendo apenas que ambos insistiram em "reafirmar o seu compromisso com a desnuclearização da península coreana".

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês confirmou ontem à noite que o destroyer norte-americano entrou nas águas cuja soberania é reivindicada por Pequim mas também pelo Vietname e por Taiwan. Os EUA têm estado a avisar a China contra a sua ocupação e reivindicação agressiva das ilhas existentes naquele mar; Pequim continua a defender que tem total soberania sobre elas.

De acordo com as agências e com fontes do Pentágono citadas pela Fox News, a embarcação norte-americana navegou a menos de 12 milhas náuticas da ilha Triton como parte das suas operações de "liberdade de navegação". Dado que as regras da ONU ditam que qualquer território pode reclamar soberania sobre as águas que distem um máximo de 12 milhas náuticas da sua costa, a ação norte-americana sugere que os EUA não reconhecem as reivindicações chinesas.

No comunicado, as autoridades chinesas garantiram que estão preparadas para usar "todos os meios necessários para defender a sua segurança e a sua soberania nacional", acusando os EUA de "criarem problemas de forma deliberada" naquela região, numa altura em que a China e os seus vizinhos do Sudeste Asiático têm estado a "esfriar as tensões e a melhorar a situação".

Através do dito programa de "liberdade de navegação", os EUA desafiam o que consideram ser "reclamações excessivas" dos oceanos e espaços aéreos mundiais, defendendo que lançaram essas operações para garantir que todos os países respeitam as regras marítimas definidas pela ONU.

O Departamento de Estado garante que as suas "asserções operacionais" são diplomáticas e que estão enquadradas em consultas com outros governos regionais. Esta é a segunda vez que os EUA lançam uma operação militar deste calibre no Mar do Sul da China desde que Donald Trump chegou ao poder a 20 de janeiro; a primeira deu-se no final de maio, quando o contratorpedeiro USS Dewey navegou a menos de 12 milhas náuticas de uma ilha artificial construída pela China naquele mar, no recife de Mischief, onde estão instaladas as chamadas ilhas Spratly.

Dias depois disso, o secretário da Defesa norte-americana, James Mattis, sublinhou que os EUA não vão aceitar a militarização daquele mar por Pequim através da construção dessas ilhas. Em anotes anteriores, os norte-americanos já tinham conduzido operações semelhantes a estas contra a China, a Malásia, as Filipinas, Taiwan e o Vietname.

Os países disputam há séculos o Mar do Sul da China, mas as tensões têm estado em crescendo nos últimos anos perante os esforços de Pequim para aumentar a sua presença militar no território marítimo. Para além de ser uma das principais rotas de trocas comerciais do mundo e de representar uma grande reserva piscatória, existem fortes suspeitas de que aquele mar tem reservas de gás e de petróleo abundantes.