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Internacional

Arábia Saudita e três aliados dão mais 48 horas ao Qatar para cumprir exigências

A capital qatari, Doha, tem estado a encher-se de stencils em apoio do seu emir, o sheikh Tamim bin Hamad Al-Thani

KARIM JAAFAR

Prazo inicialmente imposto ao pequeno Estado do Golfo terminou no domingo. Entre os requisitos conta-se o encerramento da estação televisiva Al-Jazeera, sob forte condenação da ONU e de outros países

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrain e o Egito adiaram por 48 horas o prazo imposto ao Qatar para cumprir uma lista de 13 exigências, entre elas encerrar a estação de televisão Al-Jazeera, sob pena de enfrentar mais sanções, naquela que é a pior crise política do Golfo desde a invasão do Kuwait pelo Iraque no início dos anos 1990.

O prazo inicial terminou no domingo, com o pequeno Estado do Golfo a prometer uma resposta formal para esta segunda-feira, na forma de uma carta que será entregue ao Kuwait. Esta manhã, o ministro qatari dos Negócios Estrangeiros vai viajar até à capital do Kuwait para entregar essa carta ao emir do país, que é o principal mediador da crise em curso.

Há um mês, os quatro aliados sunitas decidiram cortar relações diplomáticas com o Qatar e encerrar os seus espaços aéreos a aviões oriundos do país, acusando as autoridades qataris de financiarem grupos terroristas como o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), a Al-Qaeda e o grupo xiita libanês Hezbollah. O Qatar nega todas as acusações.

No sábado, o chefe da diplomacia quatari, o sheikh Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani, voltou a garantir que o país rejeita todas as exigências mas sublinhou que está preparado para dialogar com os ex-aliados sob as "circunstâncias certas". As sanções impostas no início de junho não têm precedentes e a elas seguiu-se uma lista de 13 exigências apresentadas a 23 de junho, com um prazo definido de 10 dias para o pequeno emirado as cumprir.

De acordo com a Associated Press, que teve acesso a uma cópia dessa lista, o Qatar tem agora até ao final de quarta-feira para:

- encerrar uma base militar da Turquia a ser construída no seu território
- reduzir as relações diplomáticas com o Irão xiita
- cortar relações com a Irmandade Muçulmana egípcia, que já foi banida por uma série de Estados árabes
- Recusar a naturalização de cidadãos dos quatro países que estão a impor as medidas e expulsar aqueles que ainda se encontram no território qatari, no que os aliados árabes descrevem como um esforço para impedir o Qatar de se intrometer nos seus assuntos internos
- Entregar todos os indivíduos procurados pelos quatros países por atos terroristas
- Parar de financiar quaisquer entidades que sejam designadas como grupos terroristas pelos Estados Unidos
- Fornecer informações detalhadas sobre figuras da oposição que tenham sido financiadas pelo Qatar na Arábia Saudita e nas outras três nações
- Alinhar-se política e economicamente com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)
- Parar de financiar meios de comunicação social, incluindo a Arabi21 e o Middle East Eye, e encerrar a sua principal estação televisiva, a Al-Jazeera
- Pagar um montante não-especificado em compensações

As restrições já impostas ao Qatar está a ter um duro impacto na pequena nação rica em gás e petróleo, que depende em larga medida de importações para garantir as necessidades básicas dos seus 2,7 milhões de habitantes. No último mês, o Irão e a Turquia têm estado a garantir o fornecimento desses bens básicos aos qataris.

Se o Qatar não cumprir as exigências, os quatro países ameaçam impôr-lhe mais sanções, embora ainda não tenham definido publicamente quais. Há uma semana, o embaixador dos Emirados Árabes Unidos em Moscovo sugeriu que estas poderão passar por suspender as trocas comerciais com países que continuem a negociar com o Qatar.

No final da semana passada, os media revelaram que, de acordo com um telegrama diplomático oficial de 2003 divulgado pela WikiLeaks, antes da invasã do Iraque pelos EUA, o príncipe herdeiro dos EAU exigiu aos norte-americanos que bombardeassem a redação da Al-Jazeera.

Ontem, perante o fim do prazo inicialmente imposto pelos quatro aliados sunitas, a administração do canal, que é financiado pelo governo qatari, exigiu o respeito pela liberdade de expressão e de imprensa, dias depois de a ONU ter considerado que a exigência de encerrar a estação é "inaceitável".