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Trump até já espanca a CNN

reuters

O presidente dos EUA colocou um video no seu perfil do Twitter onde finge que bate na CNN. Esta já reagiu, acusando Trump de ter uma atitude infantil. Nos últimos dias os ataques aos jornalistas tornaram-se uma normalidade na sua agenda

A guerra do Presidente dos Estados Unidos da América com alguns órgãos de comunicação norte-americanos teve mais um episódio hoje, com Donald Trump a colocar no seu perfil do Twitter um vídeo em que se vê ele próprio a derrubar um homem, cujo rosto foi substituído pelo logotipo da CNN, e a espancá-lo com vários socos, no chão.

Em resposta, a CNN afirmou que o vídeo promove a violência contra repórteres e que o presidente "está a comportar-se de forma juvenil, bem abaixo da dignidade do seu cargo". A CNN garantiu que vai continuar a fazer o seu trabalho e que "ele deveria começar a fazer o dele". Segundo a emissora, "é um dia triste quando o presidente dos Estados Unidos encoraja à violência contra repórteres".

Segundo o site Washington Examiner, o vídeo original é de 2007, quando Trump apareceu numa sessão chamada "Battle of the Billionaires" (batalha dos bilionários), no evento Wrestlemania 23. Nessa altura Trump aparece a atacar – numa luta simulada – Vince McMahon, presidente da empresa World Wrestling Entertainment, que organiza o evento.

Já ontem, sábado, o magnata, de 71 anos, acusou os "fake media" (meios mentirosos) como os apelida, de tentar silenciá-lo, durante um discurso feito no Centro Kennedy de Artes Cénicas, em Washington, onde assistiu ao evento Celebrate Freedom Concert, dedicado a militares veteranos americanos. "As pessoas sabem a verdade. Os fake media tentaram impedir-nos de chegar à Casa Branca, mas eu sou presidente e eles não", acentuou Trump, garantindo que a sua administração "está a transferir o poder para outros pontos fora de Washington, devolvendo-o a quem ele pertence, ao povo".

Antes do video Trump já tinha escrito várias mensagens no seu perfil do Twitter, como esta: "O meu uso das redes socias não é presidencial –mas de um presidente moderno". Noutro tweet, acusa os meios de comunicação de serem "mentirosos" e de "trabalharem duro para convencer os republicanos e outros" de que ele não deve usar as redes sociais. "Mas lembrem-se que eu venci a eleição de 2016 com entrevistas, discursos e as redes socais. Tive de combater as fake news (notícias falsas]) e o fi-lo", acrescentou.

Escalada de ataques aos media

Ontem de manhã, a polémica entre Donald Trump e dois jornalistas da NBC, que conduzem o programa "Morning Joe", já tinha ganho um novo capítulo, com Trump a tweetar: "O maluco do Joe Scarborough e Mika (Brzezinski), burra como uma pedra, não são más pessoas, mas o seu programa de baixas audiências é controlado pelos seus chefes da NBC. É pena!". Num outro tweet, o presidente dos EUA escreveu que a jornalista Greta Van Susteren, que deixou a MSNBC esta semana, foi demitida "pelos seus chefes descontrolados na NBC e Comcast porque se recusou a compartilhar o 'ódio a Trump'!".

Mas não fica por aqui. Ainda num outro tweet, de sábado, o bilionário afirmou estar "muito contente que a CNN tenha ficado finalmente em evidência pelas (suas) notícias falsas e jornalismo de lixo". Era "questão de tempo", acrescentou, referindo-se aa facto da cadeia norte-americana ter tirado do ar uma reportagem que afirmava que o Congresso estaria a investigar um fundo de investimento russo com ligações a funcionários de Trump. A CNN tirou o artigo do ar um dia depois, dizendo que não atendia aos padrões editoriais e três jornalistas pediram a demissão na sequência do caso.

Alguns republicanos, mas sobretudo os democratas já vieram a público criticar estas atitudes do presidente norte-americano que não parece dar ouvidos a nada, nem a ninguém.