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G20: Merkel diz que foco tem de estar no crescimento sustentável, não no económico

JOHN MACDOUGALL/AFP/Getty Images

Declarações da chanceler alemã surgem no mesmo dia em que dezenas de milhares de pessoas se manifestaram contra a cimeira que se terá lugar no final da próxima semana em Hamburgo

A cimeira do G20 em Hamburgo aproxima-se, trazendo consigo protestos e declarações apaziguadoras. Este domingo, dezenas de milhares de pessoas manifestaram-se na cidade alemã contra a cimeira que aí terá lugar nos dias 7 e 8 de julho e Angela Merkel aproveitou a ocasião para mostrar que está atenta às questões levantadas pelos manifestantes.

“[A cimeira] não será sobre crescimento [económico], mas sobre desenvolvimento sustentável”, disse a chanceler alemã este domingo, citada pela Reuters, no seu podcast semanal. “Temos de chegar a uma situação em que todos saiam a ganhar. Obviamente, os temas irão rondar esta questão: como alcançamos o crescimento sustentável?”

Sem mencionar os protestos que este domingo juntaram dezenas de milhares de pessoas em Hamburgo, Merkel garante que, desta vez, os assuntos relacionados com a riqueza e consumo de recursos - incluindo as alterações climáticas, proteção dos consumidores, entre outros - vão entrar na agenda do G20.

“O que estamos a fazer com os nossos recursos? Quais as regras para a distribuição de riqueza? Quantas pessoas estão a entrar nela? E quantos países estão aptos a tirar partido disso?”, questiona, sublinhando a necessidade de se obter um acordo sobre as alterações climáticas, mercados liberalizados e acordos de comércio onde os direitos dos consumidores e padrões sociais e ambientais sejam cumpridos.

“Se nos limitarmos a seguir em frente como no passado, os desenvolvimentos mundiais não serão, sem dúvida, sustentáveis e inclusivos”, avisa a candidata a um quarto mandato nas eleições alemãs de 24 de setembro.

A cimeira do G20 segue-se à cimeira do G7, há cerca de um mês, onde ficaram explícitas as divisões entre outros países ocidentais e os Estados Unidos em temas como migrações, comércio e alterações climáticas. A reunião culminou com a saída dos norte-americanos do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas.

Durante esta semana deverão ter lugar 30 manifestações, com mais de 100 mil participantes, contra a cimeira que coloca à mesma mesa os ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais dos 19 países mais desenvolvidos do mundo, mais União Europeia.