Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Estónia manda a partir deste sábado na União Europeia. E quer impor a quinta liberdade

“Queremos que a livre circulação de dados seja a quinta liberdade da União”. Quem o diz é um responsável da Estónia, que assumiu este sábado a presidência rotativa da União Europeia. Entre as prioridades políticas estão a segurança e defesa da Europa e o desenvolvimento do mercado digital

Ott Jalakas, 41 anos, co-fundador da Lingvist, é um dos muitos rostos da aposta que a Estónia tem feito no mercado digital. A empresa que desenvolve programas e aplicações para uma aprendizagem mais rápida de línguas estrangeiras arrancou há quatro anos com o desígnio claro de não ser dependente de um mercado de apenas um milhão e trezentos mil habitantes.

"A Estónia é um pequeno país, não faz sentido começar um negócio a pensar no mercado doméstico", conta ao Expresso. "Desde o primeiro dia começamos a pensar no mercado global, na Ásia, na Europa, na América do Norte", explica. A Lingvist tem já três escritórios: um Talin, outro em Londres e um terceiro no Japão.

Para esta estratégia empresarial contribuiu também o sucesso Skype, e a forma como a empresa cresceu da Estónia para o resto do mundo. "Os estónios que trabalharam para a Skype viram como se começa uma empresa e se transforma numa história de sucesso global", diz Jalakas, referindo o próprio caso e o de outros gestores e engenheiros.

O país capitaliza o sucesso e o empenho dos jovens empreendedores, mas a aposta no digital faz-se também nos serviços públicos. Em 2000, ainda o país não fazia parte da União Europeia, - só entrou em 2004 - foram entregues as primeiras declarações de rendimentos através da internet. Atualmente, 96% são submetidas online. "Quase metade das declarações é entregue no primeiro dia", explica Ruth Paade.

A responsável do departamento de impostos fala ainda de eficiência na recolha de impostos que está entre as mais altas da OCDE. "Gastamos 40 cêntimos para cobrar 100 euros de impostos". Em Portugal, o custo é de um euro. Itália, França e Alemanha ainda gastam mais.

Ao assumir, pela primeira vez, a presidência rotativa da União Europeia, a Estónia quer partilhar boas práticas e fazer avançar os dossiers ligados ao Mercado Único Digital. A estratégia lançada pela Comissão Europeia em 2015, quer facilitar o acesso de consumidores e empresas a produtos e serviços em linha, não apenas dentro de cada país, mas de forma transnacional.

"Queremos que a livre circulação de dados seja a quinta liberdade da União Europeia", defendeu esta sexta-feira em Talin, capital da Estónia, o primeiro-ministro Juri Ratas.

epa

Entre as prioridades da nova presidência está também a segurança na União Europeia, o reforço da cooperação em matéria de defesa, a união energética e a luta contra as alterações climáticas. A questão das migrações continua a ser outros dos problemas que aguarda respostas dos 28, numa altura em que estão em curso as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia.

A Presidência da Estónia não tem um papel nas negociações do Brexit - que estão confiadas à Comissão Europeia e ao negociador europeu Michel Barnier - no entanto, o país acabou por ter de assumir a presidência antes do tempo por causa da decisão britânica de deixar a UE. O inicialmente previsto era que o Reino Unido estivesse agora a assumir a liderança rotativa das reuniões dos Conselhos de ministros.