Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

China avisa que questionar soberania sobre Hong Kong é “inadmissível”. Ativistas criticam “abuso de poder”

ANTHONY WALLACE/AFP/Getty Images

O dia do 20º aniversário da transferência da soberania britânica sobre Hong Kong para a China ficou marcado por confrontos entre ativistas pró-democracia e pró-Pequim e pela primeira visita do Presidente chinês à região administrativa especial, desde que tomou posse

Foi debaixo de um calor asfixiante e de chuva pesada que milhares de pessoas protestaram este sábado em Hong Kong, na manifestação anual pró-democracia. Os organizadores do protesto contabilizaram 60 mil pessoas, um valor bastante inferior aos 110 mil do ano passado - mas ainda assim superior aos números avançados pela polícia, que fala em 14.500.

O dia, que assinala o 20º aniversário da transferência da soberania britânica sobre Hong Kong para Pequim, ficou marcado por confrontos entre manifestantes pró-democracia e pró-Pequim. E pelo discurso do Presidente chinês, naquela que é a primeira visita à região desde que tomou posse em 2013 foi vista pelos manifestantes com receio, uma vez que não querem ver a sua autonomia - que fica expressa no mote “um país, dois sistemas” - reduzida.

Xi Jinping aproveitou a ocasião para deixar um aviso à região administrativa especial da República Popular da China, numa altura em que as sondagens apontam para um aumento dos defensores da independência de Hong Kong.

“Qualquer tentativa de pôr em risco a soberania ou a segurança da China, desafiar o poder do Governo central e a Lei Básica de Hong Kong, ou usar Hong Kong para levar a cabo atividades de sabotagem e infiltração contra o continente, são atos que ultrapassam uma linha vermelha”, disse este sábado, citado pela CNN, rematando: “É algo absolutamente inadmissível.”

Os protestos tinham o intuito de chamar a atenção do Presidente chinês e pedir a libertação do ativista Liu Xiaobo e de todos os presos políticos. Só esta sexta-feira foram detidos pelo menos nove ativistas (e libertados posteriormente), após confrontos com manifestantes pró-Pequim. Entre eles estava Joshua Wong, o líder da revolução dos “guarda-chuvas” de 2014.

Depois de ter sido libertado, Wong disse, em conferência de imprensa, que os manifestantes foram alvo de “ataques violentos”, apesar de o protesto ter sido autorizado pelas autoridades, e posteriormente algemados e agredidos pela polícia.

“O que nós encontrámos foram gangues pró-China e tríades (...) que nos cercaram e bloquearam a nossa manifestação a pedir a democracia e a libertação de Liu Xiaobo”, disse o líder do movimento pró-democracia de 2014. “Durante os ataques violentos, a polícia não fez nada e permitiu que aqueles gangues empunhassem a bandeira nacional e nos perturbassem até às 8h00 [1h00 em Lisboa].” Um situação que considera “absolutamente inaceitável” e “sem base legal”.