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Morreu Simone Veil

“A minha mãe morreu esta manhã em casa. Ia fazer 90 anos no próximo dia 13 de julho”, disse o filho de Simone Veil, primeira presidente do Parlamento Europeu

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A antiga ministra Simone Veil, autora da lei de legalização da interrupção voluntária da gravidez em França e primeira presidente do Parlamento Europeu, morreu esta sexta-feira, anunciou à agência France-Presse o seu filho, Jean Veil.

"A minha mãe morreu esta manhã em casa. Ia fazer 90 anos no próximo dia 13 de julho", disse o filho de Simone Veil.

Figura maior da vida política francesa, académica, Simone Veil escapou aos campos da morte durante a II Guerra Mundial, para onde foi deportada com 16 anos, e incarnava para os franceses a memória do holocausto judeu.

Curadora da Fundação Champalimaud, feminista inflexível, com fortes convicções morais e republicanas, Simone Veil foi a primeira mulher a assumir as funções de ministra de Estado em França, assim como foi a primeira mulher a presidir ao Parlamento Europeu.

Simone Veil nasceu em 13 de julho de 1927 em Nice, sudeste de França, no seio de uma família judia e laica. Toda a sua família foi deportada em 1944 para campos de concentração: o seu pai e o seu irmão, Jean, para a Lituânia, uma das irmãs foi mandada para Ravensbruck, e ela, a sua mãe e uma segunda irmã foram deportadas para Auschwitz. Apenas as três irmãs sobreviveram.

"Penso que sou uma otimista, mas não tenho ilusões desde 1945", diria mais tarde esta inimiga da língua de pau, que nunca se esqueceu de acusar certos "amigos" políticos das suas "derivas pela extrema-direita".

Simone conheceu Antoine Veil, futuro presidente da companhia aérea francesa UTA, em 1946, com quem casou e teve três filhos, um dos quais falecido em 2002. Antoine Veil morreu em abril de 2013.

Magistrada, Simone Veil entrou em 1956 para a administração penitenciária francesa, onde se ocupou das questões relacionadas com a adoção. A sua casa era já então um salão político, onde se juntavam gaulistas e centristas.

Em 1974, Simone Veil entrou na política como ministra da Saúde no Governo de Jacques Chirac. O seu combate para adotar a lei -- contra uma boa parte da direita francesa -- sobre a interrupção voluntária da gravidez fez dela durante muito a figura mais popular do país.

Em junho de 1979, Veil foi eleita presidente do Parlamento Europeu, função onde se manteve até 1982. Entre 1984 e 1989, liderou o Grupo Liberal e Democrático do Parlamento Europeu. "O facto de ter feito a Europa reconciliou-me com o século XX", disse um dia.

Simone Veil voltaria à política francesa em 1993 para assumir as funções de ministra de Estado e da Segurança Social, Saúde e Cidades. Em 1997, presidiu ao Conselho de Integração e no ano seguinte assumiu um lugar no Conselho Constitucional, onde se manteve até 2007, ano em que apareceu ao lado de Nicolas Sarkozy na sua corrida à presidência francesa.

Personalidade feminina preferida dos franceses, de acordo com uma sondagem em 2014, Simone Veil foi ainda eleita em 2008 para a Academia Francesa, tornando-se a sexagésima mulher a pertencer à instituição.