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Investigação confirma uso de gás sarin no ataque de abril no noroeste da Síria

Getty

Os resultados do trabalho realizado pela Organização para a Interdição das Armas Químicas serão usados por uma equipa de investigadores daquela organização, com sede em Haia, e das Nações Unidas para apurar a autoria do ataque que desencadeou uma onda de revolta em todo o mundo

Os resultados de uma investigação realizada pela Organização para a Interdição das Armas Químicas (OIAC) confirmou o uso de gás sarin no ataque de 4 de abril contra uma cidade síria, que fez mais de 90 mortos.

O ataque, que teve lugar em Khan Sheikhoun, na província de Idlib, uma região controlada maioritariamente pelos rebeldes e fações islâmicas, no noroeste da Síria, desencadeou uma onda de revolta em todo o mundo.

"Condeno veementemente esta atrocidade, que contradiz completamente as normas consagradas na Convenção de Armas Químicas, afirmou o diretor da (OIAC), Ahmet Uzumcu, citado em comunicado, defendendo ainda que "os perpetradores deste horrendo ataque devem ser punidos pelos crimes".

Os resultados da pesquisa vão ser usados por uma equipa de investigadores daquela organização, com sede em Haia, e das Nações Unidas para apurar quem foi responsável pelo ataque com armas químicas.

Em meados de abril, ou seja, poucos dias depois do ataque, a OIAC tinha indicado que testes comprovavam de "forma irrefutável" o uso de gás sarin ou de uma substância similar.

O Departamento de Estado norte-americano afirmou, num comunicado divulgado na noite de quinta-feira, depois de o relatório ter sido colocado a circular entre os Estados-membros da OIAC que "os factos refletem o desprezível e altamente perigoso historial de uso de armas químicas por parte do regime de Assad".

Washington responsabilizou, desde o início, o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, pelo ataque, tendo retaliado, dias depois, com o disparo de 59 mísseis "Tomahawk" contra a base aérea síria donde terão partido os aviões que lançaram armas químicas.

Os Estados Unidos e a OIAC têm defendido a metodologia, dado que os investigadores não visitaram o local do ataque, considerado demasiado perigoso. Para a investigação foram analisadas amostras recolhidas junto das vítimas e sobreviventes e entrevistadas testemunhas.

"Uma metodologia rigorosa foi utilizada para conduzir a investigação ao alegado uso de armas químicas", frisou o diretor da OIAC.

Os resultados da investigação são conhecidos dias depois de os Estados Unidos terem anunciado a identificação de "potenciais preparativos para um outro ataque com armas químicas pelo regime sírio".

Segundo a Casa Branca, as atividades detetadas, sobre as quais não foram facultados detalhes, "são idênticas" às que precederam o ataque químico de 4 de abril.