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Internacional

Xi Jinping aterra em Hong Kong para a sua primeira visita oficial à região

Xi e a primeira-dama chinesa, Peng Liyuan, aterraram esta quinta-feira em Hong Kong

Keith Tsuji

Presidente chinês vai ficar na região especial administrativa até sábado, onde participará nas comemorações do 20.º aniversário da devolução do território pelo Reino Unido

O Presidente da China aterrou esta quinta-feira em Hong Kong para participar nas comemorações da devolução do território a Pequim pela Grã-Bretanha em 1997, naquela que é a sua primeira visita oficial à região especial administrativa desde que chegou ao poder em 2012.

A visita simbólica acontece no contexto de um clima político cada vez mais tenso, com grandes protestos pró-democracia planeados para os próximos dias a par de manifestações a favor de Pequim. Na véspera da chegada de Xi, vários ativistas proeminentes foram detidos, entre eles o estudante Joshua Wong, um dos organizadores dos protestos massivos que varreram a região na chamada Revolução dos Guarda-Chuvas em dezembro de 2014.

O grupo de ativistas tinha organizado um protesto no início da semana frente a uma escultura icónica no centro da cidade que simboliza a devolução do território a Pequim pelos britânicos há 20 anos. A escultura dourada de uma flor bauhinia, o emblema oficial de Hong Kong, foi uma prenda da China.

Xi aterrou esta quinta-feira de manhã no aeroporto de Chek Lap Kok com a primeira-dama, Peng Liyuan, para uma visita que termina no sábado, tendo sido recebidos por uma banda e por crianças com bandeiras da China. Num breve discurso a partir da pista de aterragem, o líder declarou: "Hong Kong esteve sempre no meu coração." O governo central em Pequim, acrescentou, "foi sempre um grande apoiante de Hong Kong" e "irá, como sempre, apoiar o desenvolvimento económico de Hong Kong e a melhoria das condições de vida dos seus habitantes".

No mesmo discurso, Xi também garantiu que a China está "disposta a trabalhar com todos os setores da sociedade de Hong Kong para manter a extraordinária viagem de Hong Kong ao longo dos últimos 20 anos" e para "garantir que [o modelo] 'um país, dois sistemas' vai permanecer em vigor com estabilidade".

Quando o território foi entregue a Pequim pelo Reino Unido em 1997, depois de mais de um século de ocupação pelo império britânico, Pequim passou a governar a região especial administrativa através do modelo "um país, dois sistemas", sob o qual a cidade tem o seu próprio sistema legal, democracia limitada com múltiplos partidos políticos (ao contrário da China) e direitos como a liberdade de associação e de expressão.

Contudo, a crescente influência da China é tida como um obstáculo a essas liberdades, com ativistas e críticos a temerem que o país vá continuar a minar cada vez mais as tradições políticas liberais da região.

Para este fim-de-semana, estão planeadas uma série de celebrações do 20.º aniversário da devolução de Hong Kong a Pequim, bem como a tomada de posse de Carrie Lam, a mulher que venceu as eleições para o governo administrativo da região em março deste ano com um avanço de apenas 777 votos.

Várias partes de Hong Kong estão sob intensas medidas de segurança, com várias estradas encerradas e secções do centro da cidade bloqueadas ao público perante a visita de Xi. Milhares de agentes da polícia estão destacados para patrulhar a cidade e a rota por onde a comitiva do Presidente chinês vai passar.

Quando o antecessor de Xi, Hu Jintao, visitou Hong Kong em 2012 para marcar o 15.º aniversário da devolução do território, foi recebido por centenas de milhares de manifestantes que marcharam contra o que dizem ser uma cada vez maior interferência política de Pequim na região.

As tensões pioraram a partir de setembro de 2014, quando o centro da cidade foi ocupado por protestos massivos que duraram vários meses, com os manifestantes a exigirem total democracia e a demissão do então chefe executivo CY Leung, tido como um "fantoche de Pequim".