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Presidência Trump teve “impacto estrondoso” na forma como o mundo olha para os EUA

JIM WATSON / AFP / Getty Images

Sondagem do Pew Research junto de mais de 40 mil pessoas de 37 países apurou que só em dois desses países é que o atual Presidente norte-americano angaria opiniões mais favoráveis que o seu antecessor

Uma nova sondagem transnacional do Centro Pew Research apurou que a presidência de Donald Trump teve um “impacto enorme na forma como o mundo vê os Estados Unidos”, com mais de metade dos inquiridos em 26 dos 37 países que participaram no inquérito a considerarem o atual líder norte-americano uma pessoa perigosa.

Conduzida junto de mais de 40 mil pessoas entre 16 de fevereiro e 8 de maio, a sondagem apurou que Trump e as suas políticas “são largamente impopulares em todo o mundo” — e que só em dois desses 37 países, em Israel e na Rússia, é que o atual líder é tido como um Presidente mais promissor que o homem que lhe antecedeu no poder, Barack Obama.

Apesar das visões pouco favoráveis sobre o atual governo norte-americano, em funções há cinco meses, a maioria dos inquiridos considera que a relação do seu país com os EUA não vai alterar-se nos próximos anos.

Atitude geral

Terminado o segundo mandato de Obama, e pouco depois da tomada de posse de Trump no final de janeiro, o Pew Research abordou os mais de 40 mil inquiridos sobre a sua fé no atual Presidente por oposição ao antecessor no que toca a “fazerem a coisa certa” ao nível global, apurando que a maioria das pessoas que vivem em países aliados dos EUA depositam menos esperanças em Trump. Isso só não é assim em dois países, Israel e Rússia, onde uma maioria qualificada dos inquiridos disse ter mais fé em Trump que em Obama.

Desde que assumiu o poder, o empresário tornado 45.º Presidente dos EUA já deixou a sua marca na política mundial, alienando os parceiros da NATO, encorajando os países do Golfo a isolarem o Qatar em semanas recentes e levando a chanceler alemã, Angela Merkel, a declarar no final de maio que a Europa já “não pode depender completamente” do seu antigo aliado estratégico.

Veja-se o caso dos alemães especificamente, onde a queda foi uma das mais estrondosas: do total de inquiridos, 86% disseram ter fé em Obama contra apenas 11% que acreditam que Trump fará o que é certo na política mundial. Entre os habitantes da Índia, cujo primeiro-ministro, Narendra Modi, se encontrou com Trump na segunda-feira, a diferença é menos gritante, com 40% dos inquiridos a depositarem a sua confiança no atual Presidente norte-americano contra 58% em Obama.

Só na Rússia e em Israel é que as opiniões sobre Trump são mais favoráveis do que sobre o seu antecessor: no primeiro, 11% dos inquiridos acreditavam em Obama contra 53% que depositam a sua fé em Trump; no segundo, a margem é mais reduzida, com 49% a favorecerem o anterior Presidente democrata contra 56% dos participantes mais favoráveis ao republicano.

“Considerando todas as características testadas, positivas e negativas, o Presidente Trump é mais passível de ser descrito como arrogante”, apontam os analistas do Pew no sumário do relatório. Em 26 dos 37 países que participaram na sondagem, mais de metade dos inquiridos disseram considerar o atual Presidente um homem perigoso.

Essas opiniões, aponta a BBC, mudam consoante a tendência política dos inquiridos, com os que se dizem tendencialmente de esquerda a considerarem-no mais perigoso que os restantes. No Peru e no Brasil, os que se declaram centristas são os que estão mais preocupados com a presidência Trump.

Em quase todos os países, e apesar das críticas e preocupações, Trump é tido como um líder forte, uma visão que é nota forte sobretudo em países de África e da América Latina. Contudo, muito poucos países acreditam que ele tem qualificações para ser Presidente.

Decreto anti-imigração vs. imagem dos EUA

A divulgação dos resultados da mega sondagem coincidiu com a reinstalação parcial do decreto anti-imigração que Donald Trump está a tentar implementar desde janeiro e que tinha sido anteriormente suspenso por uma série de tribunais federais norte-americanos.

Questionada sobre o impacto desse decreto na imagem dos Estados Unidos ao leme de Trump, uma maioria dos inquiridos nos 37 países, 62%, diz condenar a medida, que proíbe temporariamente a entrada de cidadãos de seis países de maioria muçulmana no território norte-americano.

Só em Israel, na Hungria e na Rússia é que a maioria apoia a medida da administração republicana. A taxa de desaprovação é alta sobretudo em países com largas populações muçulmanas, sobretudo na Jordânia (96% contra), no Líbano (88%) e no Senegal (82%).

E isto importa?

Não, aponta a maioria das 40.447 pessoas que participaram no estudo. As pessoas consideram o líder norte-americano arrogante ou perigoso, mas não acreditam que a sua presidência tenha ou venha a ter um impacto direto nas suas vidas; 41% do total de inquiridos dizem acreditar que a relação com os EUA vai manter-se inalterada, com 15% a apontarem que vai melhorar.

Esse otimismo é sobretudo notório em África: 54% dos nigerianos e 51% dos habitantes do Gana acreditam que as coisas vão ficar melhores com a administração Trump, a par de 53% dos russos que participaram no inquérito. Na ponta oposta está o México, onde a maioria acredita que a relação com a América vai piorar enquanto Trump estiver na Casa Branca.

E nos Estados Unidos?

Uma outra sondagem recente do Pew tinha apurado que a taxa de aprovação do Presidente no seu país continua baixa desde que tomou posse em janeiro — só 39% dos americanos acreditam que Trump está a fazer um bom trabalho, com apenas 7% dos eleitores negros a partilharem dessa visão.

Entre os republicanos, a opinião sobre o atual Presidente é mais favorável: 81% dos que dizem tender para o partido consideram que o líder está a sair-se bem no cargo, a par de 88% dos norte-americanos que se situam mais à direita no espectro conservador.