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Internacional

Aumentam pressões sobre a China para que Liu Xiaobo possa ser tratado fora do país

PATRICK LIN / AFP / Getty Images

Nobel da Paz, que estava preso desde 2009, foi transferido da prisão por causa de um cancro terminal, mas hospital para onde foi levado não tem como o tratar. Embaixada norte-americana em Pequim e membros do Partido Republicano já pediram a Donald Trump que exerça pressões sobre a China

A embaixada dos EUA em Pequim pediu ontem à administração Trump que pressione a China a anular completamente as restrições impostas ao ativista de Direitos Humanos Liu Xiaobo, para que o Nobel da Paz possa ser transferido para Pequim ou para outro país a fim de receber tratamentos urgentes para o cancro de fígado terminal que, também na segunda-feira, levou à sua transferência da prisão para um hospital das imediações, na cidade de Shenyang, no nordeste do país.

De acordo com um vídeo publicado por amigos do casal Liu na internet, os médicos daquele hospital disseram à mulher do ativista, Liu Xia, que neste momento não têm como garantir-lhe tratamentos de quimioterapia nem cirurgias e que, em vez disso, vão tentar impedir o alastramento do cancro com uma terapia localizada — que passa por recorrer a medicamentos para tentar travar o crescimento do tumor e a multiplicação de células cancerígenas.

Xiaobo, 61 anos, já cumpriu mais de metade da pena de 11 anos de prisão a que foi condenado em 2009 por “incitar à subversão do poder estatal”, na sequência de um manifesto pró-democracia que publicou no ano anterior em que exigia o fim da ditadura comunista no seu país-natal. Foi libertado na segunda-feira por causa da doença, mas os pedidos da mulher — que está em prisão domiciliária há sete anos — para que possa receber tratamentos fora da China continuam a ser rejeitados pelo governo.

“Se as coisas continuarem como estão, se ele não for autorizado a receber tratamentos melhores, então estaremos apenas à espera que ele morra”, disse aos media Hu Jia, um amigo de longa data do casal. “Se ele ficar onde está, a única opção disponível é tornar a sua vida mais confortável com recurso a medicamentos que amenizem a dor.”

As autoridades norte-americanas estão a pedir ao Presidente Donald Trump que pressione Pequim a autorizar a transferência do ativista laureado com o Nobel da Paz em 2010, com o Departamento de Estado dos EUA a “trabalhar para recolher mais informações” sobre o seu estado clínico e enquadramento legal.

“Pedimos às autoridades chinesas não só que libertem o sr. Liu mas também que acabem com a prisão domiciliária da sua mulher, Liu Xia”, disse Mary Beth Polley, porta-voz da embaixada dos EUA em Pequim. A China “deve garantir-lhes proteção e liberdade, incluindo a liberdade de movimentos e o acesso a cuidados médicos da sua escolha, aos quais tem direito sob a Constituição chinesa, o sistema legal do país e os compromissos internacionais”, acrescentou a fonte oficial.

Ativistas chineses sediados nos EUA já estão a pressionar a Casa Branca para que negoceie com o governo chinês, entre eles Yan Jianli; no Twitter, o dissidente avançou que as autoridades norte-americanas estão prestes a dar início a conversações com Pequim em nome de Liu. Ao mesmo tempo, Trump está a lidar com exigências do próprio partido para que garanta que o ativista consegue abandonar a China para receber tratamentos médicos.

“Peço ao Presidente Trump que tente garantir a transferência humanitária imediata de Liu Xiaobo para os Estados Unidos”, disse ontem o senador republicano Marco Rubio, que dirige a comissão executiva do Congresso para as relações com a China. “Liu Xiaobo e tantos outros que, como ele, lutam com coragem por uma mudança pacífica na China são heróis honrados, não criminosos que mereçam ser torturados ou injustamente castigados.”