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“Ataque súbito” de Israel à Faixa de Gaza

Um palestiniano varre os vidros estilhaçados pelo bombardeamento israelita desta terça-feira, na cidade de Gaza

MOHAMMED ABED / AFP / Getty Images

A força aérea israelita bombardeou posições do Hamas na Faixa de Gaza na sequência do disparo de um projétil que atingiu Israel. A troca de fogo não provocou vítimas, mas abalou a calma relativa que se vinha vivendo naquele território palestiniano. Ao Expresso, um palestiniano de Gaza diz que a guerra é uma questão de tempo

Margarida Mota

Jornalista

Projéteis disparados desde a Faixa de Gaza atingem o sul de Israel. Força aérea israelita retalia sobre posições do Hamas naquele território palestiniano. É um guião que se repete de tempos a tempos, a última vez das quais aconteceu às primeiras horas desta terça-feira (hora local, final de segunda-feira em Portugal).

“Foi um ataque súbito. Agora está tudo calmo”, afirmou ao Expresso, a meio da manhã desta terça-feira, o fotógrafo palestiniano Ahmed Salama, residente na cidade de Gaza. “Foi um bombardeamento forte, talvez um alerta em relação à guerra que está para vir... Estamos à espera de uma guerra, só não sabemos é quando.”

Na sequência do disparo de um “rocket” desde Gaza, no final de segunda-feira, que atingiu uma área desabitada do centro de Israel, perto da comunidade de Sha’ar Hanegev, a aviação militar israelita alvejou duas posições do Hamas, o movimento islamita que governa o território desde junho de 2007.

Nem o projétil disparado desde Gaza — ação reivindicada por um grupo salafita denominado Ahfad al-Sahaba — nem a retaliação israelita (na cidade de Gaza e perto de Rafah, no sul) provocaram vítimas.

A mais recente troca de fogo entre Gaza e Israel acontece no dia seguinte ao fim do Ramadão e numa altura em que aquele território palestiniano — com uma população a rondar os dois milhões de pessoas — vive com apenas quatro horas de eletricidade por dia, confirmou Ahmed Salama.

Em termos energéticos, a Faixa de Gaza está dependente do exterior e, recentemente, a pedido da Autoridade Palestiniana (AP), Israel reduziu em 40% o fornecimento de eletricidade ao território. “É uma questão política”, diz Salama. “A AP e Israel querem derrubar o Governo do Hamas e recorrem a muitos instrumentos, como a eletricidade e o encerramento da fronteira.”

Outro meio de pressão sobre o Hamas foi o recente corte em 30% nos salários dos funcionários da Autoridade Palestiniana no território e que já originou manifestações nas ruas de Gaza.

Nos últimos 10 anos, a Faixa de Gaza já foi alvo de três operações militares israelitas de grande envergadura: Operação Chumbo Fundido (2008-2009), Operação Pilar de Defesa (2012) e Operação Barreira de Proteção (2014).

Desde que o Hamas tomou o poder pela força, em meados de 2007, que o território é alvo de um bloqueio por terra, mar e ar, imposto pelas autoridades de Israel e do Egito.

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