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Internacional

Trump quer “coração” no regime de saúde que substituirá Obamacare

O novo sistema, que o partido do Presidente norte-americano vai tentar aprovar no Senado esta semana, tem sido muito criticado, com as sondagens a revelarem a impopularidade da iniciativa

Luís M. Faria

Jornalista

O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse este domingo que quer "coração" na lei do sistema de saúde que o seu partido vai tentar aprovar no Senado esta semana. A lei visa substituir o chamado Obamacare - o regime do sistema de saúde aprovado pelo anterior Presidente, e contestado pelos republicanos desde o início. Trump fez os comentarios durante uma entrevista a um programa da Fox News, a dias da votação que se prevê crucial na matéria.

O objetivo do Obamacare, garantir cobertura de saúde a milhões de americanos que não a tinham, foi conseguido graças a um sistema que estabelece multas para quem não tenha seguro de saúde, e seguros para quem não tiver meios de o pagar. O Obamacare também expande bastante o Medicaid, um programa de apoio a pessoas de baixos recursos.

A lei agora proposta pelos republicanos elimina esses dois aspetos essenciais. Desaparece a obrigação de ter seguro, e os subsídios são muito reduzidos, bem como o Medicaid em geral - contrariando uma promessa explícita feita por Trump durante a sua campanha presidencial.

O Congressional Budget Office (Departamento Oficial do Congresso), um organismo técnico sem inclinação partidária, cujas previsões são tidas como muito credíveis, estima que com a nova lei cerca de 23 milhões de americanos poderão perder o seguro que têm neste momento.

Após uma sucessão de derrotas judiciais e de outros reveses, Trump precisa de um sucesso político. Apesar de as sondagens mostrarem que a sua proposta de lei é extremamente impopular, ele expressa otimismo - ao mesmo tempo que cria alguma distância. Referindo-se aos senadores republicanos, disse: "Acho que eles não andam muito longe. Famosas últimas palavras, certo? Mas acho que vamos lá chegar. Não posso prometer. acho que vamos lá chegar".

Com uma maioria de apenas dois elementos no senado e os democratas juntos na oposição à lei, os republicanos não podem perder mais do que um voto dos seus. Neste momento, oito senadores republicanos já anunciaram que tem fortes dúvidas em relação à lei. Metade por ela ir longe demais na limitação aos apoios sociais, metade por não ir suficientemente longe.