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Internacional

Itália vai gastar 17 mil milhões de euros para salvar dois bancos

O ministro da Economia, Pier Carlo Padoan

GABRIEL BOUYS/GETTY

Bruxelas apoia a solução, que é muito criticada, mas acalma os receios generalizados sobre o sistema bancário italiano

Luís M. Faria

Jornalista

17 mil milhões de euros. É a soma que a Itália vai gastar para resgatar dois bancos em dificuldades. Repetindo o que se passou em anos recentes noutros países, o Banca Popolare di Vicenza e o Veneto Banca viram-se confrontados com os efeitos de longos anos de má gestão, incluindo um grande volume de investimentos mal concebidos. Se fossem objeto de resolução, como tudo indicava, isso deixaria aflitos milhares de depositantes e investidores e acarretaria um risco para o sistema bancário italiano. A pressão europeia era grande, e as autoridades tiveram de agir.

A solução anunciada este domingo não é pacífica. Ainda recentemente a Espanha resolveu um problema semelhante de outra forma, quando o Banco Popular entrou em dificuldades. O Santander comprou-o por um euro e não exigiu dinheiro ao Estado, propondo-se angariar sete mil milhões de euros junto de investidores.

No caso dos bancos italianos, a solução envolve um enorme financiamento por parte dos contribuintes. Além da verba inicial, o Estado prevê gastar uns 12 mil milhões adicionais, ficando a despesa total em 17 mil milhões. O plano é constituir um banco 'bom' com os créditos de cada banco e um banco 'mau' para o restante. A Intesa SanPaolo, o maior banco de retalho em Itália, comprará o banco bom.

Também aqui o preço simbólico foi de um euro. Mas o Estado fornecerá uma ajuda inicial de cinco mil milhões de euros, dos quais 1,200 mil milhões serão para tratar do financiamento de pensões e outros encargos com as centenas de funcionários que terão de ser dispensados. Várias analistas descreveram o plano como uma enorme prenda dada pelo Estado ao Intesa Sanpaolo.

O ministro da Economia, Pier Carlo Padoan, respondeu de forma categórica: "Aqueles que nunca nos criticam devem dizer qual teria sido a melhor alternativa. Eu não a vejo". As autoridades europeias parecem concordar, garantindo que o plano evitará "perturbações económica na região do Veneto" e retirarão 18 mil milhões de crédito mal parado ao sistema bancário italiano.

Em 2016, o Monte dei Paschi, outro banco italiano que é o maior do mundo, teve de pedir ajuda do Estado para cobrir um défice de 8.8 mil milhões de euros.