Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Donald Trump quebra tradição de festejar o Ramadão na Casa Branca

JONATHAN ERNST

O Presidente americano cancelou uma celebração com quase 20 anos e não quis receber na sua residência oficial o jantar que marca o fim do mês sagrado da religião islâmica

Desde o mandato de Bill Clinton que a Casa Branca realizava, todos os anos, um jantar a assinalar o fim do Ramadão, o mês sagrado dos muçulmanos. Este ano, a ocasião quase passou despercebida na residência oficial do Presidente dos EUA. Apenas uma uma declaração foi publicada no final de tarde de domingo.

O primeiro jantar do Eid al-Fitr (quebra do jejum, a marcar o fim do Ramadão) teve como anfitrião Thomas Jefferson, que acolheu um embaixador tunisino em 1805. Hillary Clinton ressuscitou o evento quando ocupava o lugar de primeira-dama, em fevereiro de 1996, recebendo perto de 150 pessoas.

O jantar, frequentado por políticos, diplomatas e líderes da comunidade islâmica americana, tornou-se uma tradição na Casa Branca. “Muçulmanos nos Estados Unidos juntaram-se a crentes ao redor do mundo durante o mês sagrado do Ramadão para se concentrarem em atos de fé e caridade”, declararam, este ano, Donald e Melania Trump, em comunicado.

“Ao comemorarem o Eid com familiares e amigos, continuam a tradição de ajudar os vizinhos e partir o pão com pessoas de todos os meios da vida. Durante este feriado, lembramos a importância da misericórdia, da compaixão e da boa vontade. Com os muçulmanos do mundo inteiro, os Estados Unidos renovam o compromisso de honrar esses valores. Eid Mubarak”, lia-se na mensagem presidencial.

Decisão tomada em maio

Em Maio, a Reuters informou que o secretário de Estado Rex Tillerson (equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros) recusou a recomendação do escritório de religião e assuntos globais do Departamento de Estado de realizar uma festa do Eid al-Fitr na Casa Branca.

Um seu porta-voz disse à agência noticiosa que “ainda estão a ser exploradas possíveis opções para realizar o Eid al-Fitr... os embaixadores dos EUA são encorajados a celebrar o Ramadão através de uma variedade de atividades que são realizadas anualmente em missões ao redor do mundo”.

A administração Trump tem sido acusada de islamofobia pela proposta controversa do Presidente de proibir a entrada nos EUA de cidadãos de seis nações de maioria muçulmana. Apesar de essa medida ter sido temporariamente bloqueada por dois tribunais, na sequência de recursos federais, o Supremo Tribunal dos EUA está a ponderar novo recurso da administração.

Este mês, cerca de 100 ativistas muçulmanos protestaram contra as políticas e o discurso divisionista do Presidente americano sobre o Islão à porta da Trump Tower, em Nova Iorque. O grupo rezou e desmobilizou rapidamente no final do dia 1 de junho, no âmbito da iniciativa IftarInTheStreets" organizada por grupos de defesa dos imigrantes.