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Expresso

Internacional

Diagnóstico de cancro leva China a libertar o dissidente Liu Xiaobo

SAM YEH

Ativista de Direitos Humanos laureado com o Nobel da Paz em 2010 estava preso há oito anos. Amnistia Internacional exige a libertação imediata da sua mulher, em prisão domiciliária há sete, para que possam reunir-se em tempo útil

O dissidente chinês Liu Xiaobo foi libertado da prisão esta segunda-feira após ter sido diagnosticado com um cancro terminal no fígado. Liu, de 61 anos, estava preso desde 2009, tendo sido laureado com o Nobel da Paz no ano seguinte pela sua "luta não-violenta pelos direitos humanos fundamentais na China".

Neste momento, está internado num hospital da cidade de Shenyang, no nordeste do país, próximo do sítio onde esteve detido nos últimos oito anos, informou o seu advogado, Mo Shaoping.

Liu Xia, mulher do ativista, tem estado a viver em prisão domiciliária desde que o marido foi laureado com o Nobel, sofrendo de depressão por causa do isolamento forçado ao longo de quase sete anos. Até hoje, não foi formalmente acusada de qualquer crime.

Liu Xiaobo foi preso e condenado em 2009 por ter assinado um manifesto pró-democrático que intitulou "Carta 8" em honra da Carta 77, uma iniciativa cívica informal levada a cabo por ativistas de Direitos Humanos e líderes da oposição checoslovaca durante o regime comunista, entre 1976 e 1992. Desde então, pouco se soube sobre o ativista, que foi proibido de ir a Oslo receber o Prémio Nobel, tendo sido representado por uma cadeira vazia.

"Através de castigos severos que lhe foram aplicados, Liu tornou-se o símbolo maior desta luta abrangente pelos Direitos Humanos na China", declarou na altura o comité do Nobel. A atribuição do prémio ao ativista enfureceu o governo chinês, levando a uma rápida deterioração das relações entre este e a Noruega.

A partir de Hong Kong, a Amnistia Internacional já exigiu que Pequim liberte a mulher de Xiaobo agora que o marido abandonou a prisão por estar às portas da morte. "As autoridades devem levantar, imediata e incondicionalmente, todas as restrições impostas à sua mulher, Liu Xia, e deixá-los reunirem-se o mais depressa possível", diz o investigador da ONG Patrick Poon, citado pelo "The Guardian".