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Luanda é a cidade mais cara do mundo

Um T2 em Luanda custa €5600 de renda/mês, segundo o estudo da Mercer. Em Nova Iorque, o valor baixa €1000

DR

Rendas das casas começam a baixar para os trabalhadores expatriados que têm vindo a reduzir a sua expressão no país

Arrendar um “apartamento com dois quartos sem mobília, num bairro apropriado”, em Luanda, custa em média, por mês €5600, e já em Lisboa, com os mesmos parâmetros consegue-se ficar pelos €1700. Custos que também pesam na decisão das empresas durante o seu processo de internacionalização na hora de arranjar alojamento para os seus trabalhadores expatriados e que a consultora Mercer contabilizou na 23ª edição do seu relatório Cost of Living.

O estudo cruzou cerca de 200 dados onde se incluem além do alojamento, entre outros, o custo do transporte, de uma refeição de hambúrguer fast-food , um litro de leite, umas calças de ganga ou um simples café, em 209 cidades dos cinco continentes. A conclusão mais imediata é que Luanda é a cidade mais cara do mundo para os trabalhadores expatriados e que Lisboa, “relativamente pouco dispendiosa”, ocupa a 134ª posição em 2016, menos três lugares que no ano anterior.

As flutuações cambiais, o custo dos bens de consumo e as movimentações do mercado imobiliário são fatores determinantes para as empresas quando avaliam as despesas inerentes aos seus colaboradores internacionais, sublinha-se no estudo.

Menos procura
baixa os preços

Luanda tem ocupado um lugar cimeiro no ranking da Mercer, que avalia o custo de vida das cidades. Em 2015 ocupava a segunda posição depois de Hong Kong, cidade que destronou em 2016, como se reporta no relatório divulgado esta semana. Mas, no que concerne ao imobiliário e aos preços praticados no mercado de arrendamento, há novidades nestes meses mais recentes. A crise generalizada no país, a falta de divisas e o congelamento de remessas levou à debandada de muitas multinacionais. E, na lei da oferta e da procura, os preços das rendas das casas têm vindo a descer de forma abrupta.

As dificuldades são contadas ao Expresso, na primeira pessoa, pelo administrador de uma empresa de construção civil sediada no norte de Portugal, com ligações a Angola há cerca de uma década. Pede a confidencialidade porque ainda tem algumas obras em curso e que espera ver pagas apesar das dificuldades dos últimos dois anos. No pico do dinamismo deste mercado, a sua empresa chegou a ter mais de 200 trabalhadores portugueses expatriados, essencialmente engenheiros, arquitetos e técnicos superiores, com o “grosso da força de trabalho” a ser recrutada in loco.

“Mas agora há cada vez menos trabalhadores expatriados a viver em Angola e esse fenómeno está a fazer descer os preços das casas drasticamente. Há cerca de dez anos era ‘normal’ arrendar um apartamento T3 no centro de Luanda, sem condições, por 10 mil dólares. Hoje, esse mesmo apartamento baixou para os 2000. Ou casas mais afastadas do centro que eram pagas a 2500 dólares e que agora estão disponíveis por 600”, conta. Segundo este responsável, “há neste momento condomínios de luxo que ficaram completamente despovoados. E isso está a levar também ao encerramento de restaurantes e até os colégios que recebiam os filhos dos expatriados”, conta o mesmo responsável.

Bem longe do custo de vida de Luanda, a capital portuguesa ocupa este ano a 137ª posição, uma descida de três posições em relação ao estudo divulgado no ano passado. Os preços baixos dos produtos de consumo e das próprias rendas das casas quando comparadas em contexto internacional fazem de Lisboa uma cidade com grande capacidade de atração das multinacionais. Mas não só, como sublinha ao Expresso Jean-Marc Pasquet, CEO da BNP Paribas em Portugal.

O BNP, um dos maiores bancos da Europa, soma já 4000 colaboradores em Portugal, a esmagadora maioria dos quais alocados à incubadora de novos projetos que apoia a estrutura global da instituição. Destes, 9% são oriundos de 44 países estrangeiros.

“O BNP Paribas está em Portugal desde 1985. Esta é uma relação sólida e estratégica, com um forte investimento logístico e humano ao longo destas décadas, que vai muito além de decisões conjunturais. É natural que a maior competitividade do sector imobiliário face a outras localizações potencie o investimento, mas no caso do BNP Paribas essa é apenas mais uma entre várias outras vantagens que o nosso país oferece: recursos humanos com um nível de educação académica elevado, domínio linguístico, nomeadamente do inglês, mas também do francês, pertencer à zona euro, a sua ampla cobertura geográfica ao nível de infraestruturas de transportes e tecnologia, segurança e, claro está, o “acolhimento” genuíno e multicultural dos portugueses ou dos que escolheram Portugal para viver”, explica Jean-Marc Pasquet.

O estudo da Mercer mostra ainda que Zurique é a cidade europeia mais cara, encontrando-se em 4º lugar do ranking. No top 10 o destaque vai anda para as cidades asiáticas que ocupam cinco lugares: Hong Kong (2º), Tóquio (3º), Singapura (5º), Seul (6º) e Xangai (8º). Fora do top 10 mas a dar nas vistas pela subida significativa do custo de vida estão as cidades de São Paulo (27º) e Rio de Janeiro (56ª). As cidades mais baratas para os expatriados, de acordo com o estudo da Mercer são Tunis, na Tunísia, e Skopje, na Macedónia.