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Internacional

Jeremy Corbyn foi fazer o seu “número” em Glastonbury

Jeremy Corbyn ao lado do fundador do festival de Glastonbury, Michael Eavis, um eterno hippie de 81 anos

DYLAN MARTINEZ / Reuters

Falando a milhares de jovens presentes no segundo maior festival de música a céu aberto, o líder trabalhista repetiu os seus temas habituais e a plateia parece ter apreciado

Luís M. Faria

Jornalista

O festival de Glastonbury, no Reino Unido, que se prolonga por cinco dias e cujos cerca de cem palcos fazem dele um dos maiores do mundo a céu aberto, é conhecido sobretudo pelos famosos artistas de pop/rock que lá atuam. Também se encontra teatro, comédia, circo e outras artes. Este ano, porém, teve uma atração de outro tipo. O líder do Partido Trabalhista britânico apareceu lá este sábado a fazer um discurso, e teve a maior audiência até ao momento.

Corbyn falou de pontes (em vez de muros), de solidariedade com os refugiados, da tragédia da Torre Grenfell, de desigualdade social e de outros temas familiares. Em referência à recente eleição no país, disse que os comentadores e as elites se tinham enganado. Referiu expressamente o nome de Donald Trump.

Não houve propriasmente novidades no seu discurso, mas a aparição é significativa dado o apoio de que goza entre a juventude. Corbyn congratulou-se com o facto de muitos deles se terem voltado a interessar pela política: "Estão fartos de lhes dizerem que não importam, fartos de lhes dizerem que nunca participam, e completamente fartos de a sua geração pagar mais para receber menos".

O criador do festival, Michael Eavis, juntou-se a Corbyn no palco e recebeu uma cópia do manifesto trabalhista intitulado "For the Many, Not the Few" (Para os muitos, não os poucos). Foi um momento para a pequena história de um festival criado em 1970 e que, tal como o próprio Corbyn, permanece bastante associado à cultura dessa época. A qual parece ter voltado, ainda que parcialmente, a estar na moda.