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CEO da Uber cede a pressões e anuncia demissão

WANG ZHAO

“New York Times” avançou na terça-feira que cinco grandes investidores da empresa exigiram que Travis Kalanick resignasse ao cargo “imediatamente”

O cofundador e CEO da Uber, Travis Kalanick, ter-se-á demitido na terça-feira sob pressão dos acionistas, uma semana depois de ter anunciado que ia afastar-se da liderança da empresa "por tempo indefinido".

De acordo com o "New York Times", cinco investidores exigiram que Kalanick resignasse ao cargo "de imediato", numa altura em que a empresa continua a lidar com uma série de escândalos, entre eles um que envolve dezenas de queixas de assédio sexual. O mesmo jornal diz que o ex-diretor executivo vai continuar a integrar o conselho de administração da empresa.

Quando recebeu a carta dos acionistas na terça-feira, o ainda CEO terá anunciado aos funcionários: "Eu adoro a Uber mais do que qualquer outra coisa no mundo e, neste momento difícil da minha vida pessoal, aceitei o pedido dos investidores para me afastar, para que a Uber possa voltar a construir em vez de ser distraída por mais uma querela."

Na semana passada, Kalanick meteu baixa por um período de tempo indefinido, em parte para abrir caminho à criação da Uber 2.0 mas também na sequência da inesperada morte da sua mãe num acidente de barco, no final de maio.

Nos últimos meses, outros executivos foram afastados da gestão da empresa, incluindo Eric Alexander, ex-chefe de operações para a Ásia-Pacífico, após ter sido denunciado que obteve os registos médicos confidenciais de uma passageira que foi violada por um condutor da Uber em 2014 e que os partilhou com Kalanick, com o vice-presidente Emil Michael e com outros membros da administração. Na sequência dessa denúncia, Alexander foi despedido no início deste mês; dias depois, Michael resignou ao seu cargo na empresa.

Só desde o início de junho, a Uber despediu mais de 20 funcionários e abriu processos contra outros na sequência de uma revisão de mais de 200 queixas recebidas pelo departamento de Recursos Humanos, incluindo por assédio e bullying.

A par disso, a empresa de transporte privado também está a lidar com um processo judicial interposto em abril pela Alphabet, a empresa que detém a Google, por alegado roubo de segredos empresariais relacionados com os protótipos de carros sem condutor que a gigante cibernética tem estado a desenvolver.