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Quatro ministros britânicos ignoraram avisos sobre riscos de incêndio na Torre Grenfell

Leon Neal/GETTY

Informação foi avançada pela BBC na segunda-feira à noite, uma semana depois de o fogo de enormes proporções que deflagrou e consumiu por completo a torre habitacional londrina ter provocado pelo menos 79 mortos

Quatro membros do governo britânico foram avisados de que os regulamentos de incêndio em arranha-céus londrinos não estavam a manter as pessoas seguras e que os residentes de edifícios como a Torre Grenfell estavam "em risco" por causa disso.

A informação foi avançada ontem à noite pela BBC, com base em cartas enviadas a um departamento governamental consultadas pelo canal, uma semana depois de um incêndio de enormes proporções naquela torre habitacional de 24 andares ter provocado dezenas de mortos. Neste momento, há pelo menos 79 pessoas mortas ou desaparecidas na sequência do fogo.

Contactado pela BBC, o departamento governamental que recebeu as missivas disse que já estava a trabalhar para melhorar as regras de segurança antes da tragédia. As cartas foram enviadas por especialistas preocupados com os riscos de incêndio em prédios de apartamentos desde 2009, quando um fogo deflagrado na Lakanal House, no sul de Londres, provocou seis mortos e 30 feridos.

A BBC diz que os avisos "foram ignorados" e que, apesar de o governo ter prometido uma revisão dos regulamentos em 2013, essa reforma nunca chegou a materializar-se. Numa das cartas reveladas no programa Panorama da BBC, os especialistas de uma comissão parlamentar interpartidária avisavam que o governo britânico não podia "dar-se ao luxo de esperar por uma nova tragédia". Os quatro membros do governo que as receberam integram o Departamento para as Comunidades e a Governação Local.

"Estamos há quatro anos a dizer: 'Ouçam, nós temos as provas, já vos apresentámos as provas, têm de fazer alguma coisa quanto a isto'", revelou ao Panorama Ronnie King, um dos membros da comissão. Depois de os primeiros avisos terem sido ignorados e de a revisão prometida para 2013 nunca ter acontecido, o grupo parlamentar escreveu em março de 2014: "Quando já existem provas credíveis que justificam uma atualização que vai salvar vidas, será preciso esperar mais três anos para além dos dois que já passaram [...] para se fazer alguma coisa? Dado que existem outras quatro mil torres de apartamentos no Reino Unido sem mecanismos automáticos de proteção como aspersores de água, poderemos realmente ficar à espera que outra tragédia ocorra antes de corrigirmos esta fraqueza?"

Depois de terem recebido mais cartas, o deputado liberal democrata Steven Williams, que à data trabalhava no departamento governamental em questão, respondeu: "Não vi nem ouvi nada que sugira que ter estas alterações específicas em consideração é urgente e não estou disposto a perturbar o trabalho deste departamento para que estes assuntos sejam debatidos."

O grupo de especialistas respondeu com incredulidade. "Não conseguimos compreender como pode ter concluído que provas independentes e credíveis, que têm sérias implicações de segurança, NÃO são consideradas urgentes. Na sequência disso, o grupo deseja sublinhar que, caso uma tragédia de incêndio com perda de vidas ocorra entre agora e 2017, por exemplo num lar de idosos ou num edifício de apartamentos, em que os tópicos aqui elevados tenham peso no resultado, então o grupo ver-se-á forçado a avisar outros disto."