Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Homem que atacou muçulmanos em Londres detido sob suspeita de ofensas terroristas

Polícia fez buscas à casa de Osborne em Cardiff, capital do País de Gales, na segunda-feira

Matthew Horwood

Família de Darren Osborne, que no domingo à noite conduziu uma carrinha contra peões à saída de uma mesquita em Finsbury Park, causando um morto e 11 feridos, diz-se “totalmente em choque”

A família do homem suspeito do atentado perto de uma mesquita londrina que, no domingo à noite, provocou um morto e 11 feridos, está em "choque" e "devastada" com as notícias. Darren Osborne, de 47 anos e pai de quatro filhos, foi detido na segunda-feira à tarde sob suspeita de tentativa de homicídio e alegadas ofensas terroristas, após conduzir uma carrinha alugada contra peões em Finsbury Park à saída das orações da noite, em pleno Ramadão.

Muitos dos que foram atingidos pela carrinha estavam a ajudar um homem a levantar-se do chão quando Osborne tentou abalroá-los. O homem acabaria por morrer mas não se sabe se na sequência do atentado. Dos 11 feridos, dois receberam curativos no local do ataque e os outros nove foram transportados para o hospital, com vários deles ainda em estado crítico, avança esta manhã a BBC.

Ontem à noite, a comissária da polícia metropolitana de Londres, Cressida Dick, e vários líderes religiosos participaram numa vigília que atraiu centenas de pessoas a Finsbury Park, com Dick a declarar que o incidente foi "claramente um ataque contra muçulmanos" e a anunciar que, a partir desta terça-feira, haverá mais agentes destacados na área, incluindo polícias armados, "particularmente em torno de instituições religiosas".

Na mesma vigília, o bispo de Stepney, Adrian Newman, declarou que "um ataque contra uma fé religiosa é um ataque contra todos nós". Ao seu lado, o líder da mesquita de Finsbury Park, Mohammed Kozbar, condenou o atentado "contra as nossas famílias, a nossa liberdade e a nossa dignidade", e informou que o homem que morreu era pai de seis filhos.

Em comunicado, a mãe, a irmã e um sobrinho de Osborne disseram estar "totalmente em choque" e "enojados" com o que aconteceu. "É inacreditável, ainda não estamos em nós. Os nossos corações estã com aqueles que ficaram feridos." Citada pelo "Telegraph", a mãe do suspeito, Christine Osborne, garante: "O meu filho não é terrorista, é só um homem com problemas e não sei como lidar com tudo isto. Ele nem sequer saberia dizer quem é a primeira-ministra. Nunca o ouvi a dizer o que quer que seja contra muçulmanos ou algo racista."

De acordo com esse mesmo jornal, Osborne tinha vindo a desenvolver "visões antagónicas" contra os muçulmanos no rescaldo do atentado na ponte de Londres que, no início deste mês, provocou sete mortos e 48 feridos. Vídeos do que aconteceu frente à mesquita na noite de domingo mostram o suspeito de olhar enraivecido a gritar "Matem-me"; o imã da mesquita-alvo foi quem o protegeu das pessoas enfurecidas até a polícia chegar.

Na segunda-feira, as autoridades fizeram buscas a uma casa em Cardiff, capital do País de Gales, onde se suspeita que Osborne vivia. O secretário de Estado para a Segurança, Ben Wallace, diz que o suspeito não estava nos radares das autoridades e que parece ter agido sozinho. A BBC avançou esta manhã que Osborne cresceu em Weston-super-Mare, em Somerset, e que viveu em mais do que uma residência em Cardiff, bem como em Swindon. A polícia metropolitana já confirmou que para já vai continuar detido por suspeitas de "encomendar, preparar ou instigar o terrorismo" e por suspeitas de "homicídio e tentativa de homicídio".

Este é o quarto ataque terrorista a ter lugar no Reino Unido em apenas três meses, depois dos atentados em Wesminster, Manchester e na Ponte de Londres. Aos jornalistas, a primeira-ministra britânica Theresa May condenou ontem o ataque, "tão revoltante" como os anteriores. "Foi um atentado que, novamente, teve como alvos pessoas comuns e inocentes que estavam a levar as suas vidas – desta vez muçulmanos britânicos enquanto abandonavam uma mesquita depois de quebrarem o jejum [do Ramadão] e de orarem juntos nesta altura sagrada do ano."