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Mais de metade dos britânicos querem novo referendo sobre o Brexit

No rescaldo das eleições, houve protestos contra o governo de Theresa May e contra o plano "duro" da primeira-ministra para tirar o Reino Unido da UE

AFP

Inquérito de opinião do Survation mostra que, neste momento, 53% da população do Reino Unido quer voltar às urnas para decidir os termos da saída da União Europeia, contra 47% que se opõe a uma nova consulta

Uma maioria qualificada dos britânicos quer que o governo convoque um novo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, numa altura em que o país está a atravessar um período de enorme instabilidade política.

De acordo com uma sondagem do Survation para o jornal "The Mail on Sunday", divulgada na véspera do arranque das negociações formais em Bruxelas, 53% dos britânicos querem ter uma palavra a dizer sobre o acordo final, que tem de estar concluído até março de 2019, contra 47% dos inquiridos que se opõem a uma nova consulta. Em abril, num outro inquérito de opinião com a mesma pergunta, 54% dos participantes tinham respondido que não queriam um novo referendo.

A mais recente sondagem sugere que a oposição ao chamado "hard Brexit" está a aumentar entre o público britânico, numa altura em que Theresa May continua a tentar formar governo com os Unionistas Democráticos da Irlanda do Norte (DUP), depois de ter perdido a maioria parlamentar nas legislativas. A primeira-minista decidiu antecipar as eleições para o início deste mês na esperança de reforçar a sua maioria e de acabar com as cisões dentro do governo sobre a abordagem a seguir nas negociações com a UE, mas acabou a perder 12 deputados e, com eles, a maioria que o partido detinha desde 2015.

Segundo os dados do inquérito do Survation, apenas 35% dos britânicos concordam com a postura de Theresa May, que há alguns meses referiu que "um não acordo é melhor que um mau acordo" com a Europa a 27. Cerca de 69% dos inquiridos são contra a saída do Reino Unido da União Aduaneira, um dos principais focos das negociações, que a chefe do governo quer usar como alavanca.

Esta segunda-feira de manhã, horas antes do arranque das negociações em Bruxelas (marcado para as 11h locais, menos uma hora em Lisboa), os media britânicos avançaram que Philip Hammond, ministro dos Negócios Estrangeiros de May, vai defender que o Reino Unido deve continuar a integrar a União Aduaneira — uma postura que entra em choque com a abordagem "dura" da primeira-ministra, em mais um sinal de divisões dentro do Partido Conservador.

A facção Tory que pende para uma abordagem mais "suave" está alinhada com a maioria do eleitorado trabalhista. Numa outra sondagem divulgada este fim de semana, levada a cabo pelo YouGov, 64% dos britânicos que apoiam o partido de Jeremy Corbyn dizem favorecer trocas comerciais sem restrições em detrimento de mais controlos de imigração, contra 19% dos inquiridos que apoiam a postura de May.

Nesse mesmo estudo, 35% dos eleitores que votam Labour disseram que decidiram ir às urnas há duas semanas por causa da saída da UE, com 47% a dizerem explicitamente que preferem um "Brexit suave" contra 4% que desejam um "Brexit duro" e 27% que se opõem totalmente à saída. Do outro lado da barricada política, entre os britânicos que votam Partido Conservador, 60% põem os limites à imigração à frente das trocas comerciais, contra 27% que favorecem a abordagem a oposta.

"A esmagadora maioria dos eleitores trabalhistas quer um país aberto e de olhos postos lá fora, o que pode significar [que querem] ficar no mercado único tal como a Noruega e a Suíça já o fazem estando fora da UE", refere Gurnek Bains, diretor-executivo do think tank Global Future, que encomendou a sondagem ao YouGov. "Se os líderes políticos insistirem numa forma extrema do Brexit, ou criarem as condições para uma saída que dê prioridade aos controlos imigratórios através da retirada da Grã-Bretanha do mercado único e da União Aduaneira, arriscam-se a ficar do lado errado do eleitorado."