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Internacional

Brexit. Um governo enfraquecido prepara-se para começar a negociar a saída da UE

David Davis está confiante numa "parceria profunda e especial" com a UE pós-Brexit

Leon Neal

David Davis, ministro de Theresa May para o Brexit, está de olho num acordo “histórico” com Bruxelas. Líderes da União Europeia temem que perda de maioria pelos conservadores britânicos conduza a uma saída “brutal” do bloco — ou, em vez disso, a um impasse sem solução

Os líderes da União Europeia temem que o governo de Theresa May esteja demasiado enfraquecido para negociar uma saída viável do bloco europeu, com muitos a apontarem que as negociações oficiais, com início marcado para esta segunda-feira, podem conduzir a um "Brexit brutal" que se arrisca a ditar o colapso das conversações antes sequer de ser firmado qualquer acordo.

Assim avança esta manhã o "The Guardian", depois de funcionários das várias delegações terem começado a reunir-se em Bruxelas no domingo à noite, para preparar o antecipado arranque das negociações de retirada do Reino Unido, com início previsto para as 11h desta manhã em Bruxelas (menos uma hora em Lisboa).

Este domingo, o chanceler Philip Hammond, responsável pela pasta das Relações Externas, assumiu que o potencial falhanço será um "resultado muito, muito mau". David Davis, ministro britânico responsável pelo Brexit, continua investido em alcançar um acordo "histórico", avança hoje a BBC.

As negociações de saída vão começar numa altura em que o Reino Unido está mergulhado no caos político, depois de Theresa May ter falhado em reforçar a sua maioria parlamentar nas eleições legislativas que antecipou para o início deste mês. Em vez disso, a primeira-ministra conservadora perdeu a maioria confortável que detinha em Wesminster e está agora a tentar formar governo com os Unionistas Democráticos da Irlanda do Norte (DUP) para poder permanecer no poder.

Com o arranque das conversações a aproximar-se, Hammond tem estado sob pressão para tornar públicos os detalhes de qualquer acordo de coligação alcançado com o DUP; entre os que estão a exercê-la conta-se John McDonnell, o ministro-sombra do Partido Trabalhista para os Negócios Estrangeiros, que há alguns dias lembrou que o DUP quer acabar com o imposto turístico cobrado a todos os não-britânicos que visitam a Irlanda do Norte — uma taxa que, entre 2015 e 2016, acrescentou cerca de 90 milhões de libras (102,5 milhões de euros) aos cofres do Estado britânico.

Em declarações públicas, Davis assumiu este domingo que "há um longo caminho a percorrer" mas assegurou que essa rota levará o Reino Unido e a UE a firmarem uma "parceria profunda e especial". De acordo com as regras estabelecidas pelo artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que May invocou há quase três meses para dar início às negociações formais de saída, o Reino Unido e Bruxelas têm até março de 2019 para completarem um acordo. Entre os principais tópicos a serem debatidos conta-se o estatuto de britânicos expatriados noutros países da UE, a "conta de divórcio" que Bruxelas quer cobrar ao governo britânico para que salde as suas dívidas com a Comissão Europeia e a questão da fronteira da Irlanda do Norte.