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Recorde de abstenção e maioria para Macron

Getty

Na segunda volta das eleições legislativas francesas todos têm razões para sorrir, nem que seja um sorriso amarelo, excepto a Frente Nacional que multiplica número de lugares por quatro ou cinco mas não consegue chegar aos 15 deputados que lhe dariam direito a grupo parlamentar

Uma abstenção recorde da ordem dos 56,6% marcou a segunda volta das eleições legislativas francesas. Com uma maioria absoluta anunciada do movimento República em Marcha (REM) afecto ao novo Presidente da República Emmanuel Macron e bom tempo a motivação para ir votar não era alta.

Fechadas as urnas às 19.00 de Lisboa (uma hora mais tarde em Paris) as primeiras projecções, nomeadamente as do diário “Le Monde” apontam para uma maioria da REM, ainda que abaixo das previsões mais optimistas de mais de 400 eleitos, ou seja da ordem dos 355 deputados. A boa notícia para Macron é que todos os membros do Governo que se apresentavam a sufrágio terão sido eleitos (se assim não fosse a regra estabelecida implicaria que tivessem de se demitir).

No caso do Partido Socialista, cuja preocupação nesta fase era limitar estragos, há um relativo suspiro de alívio, já que poderá ter um grupo parlamentar até 49 elementos, muito acima das estimativas mais negras. Complementarmente tem mais assentos que a esquerda radical de Mélechon, cujo objectivo explícito era “arrasar o PS”.

Este objectivo da França Insubmissa (FI) não foi atingido mas, em contrapartida, a formação dirigida por Jean-Luc Mélenchon poderá duplicar o limiar da constituição do grupo parlamentar, ficando com 30 assentos na Assembleia Nacional.

Do lado da Frente Nacional (FN, xenófoba) é caso para algumas palmas e outros tantos assobios. Marine LePen foi eleita e tudo indica que o número anterior de deputados (dois) deverá triplicar ou até quintuplicar, o que, no entanto a deixa ainda abaixo dos 15 deputados que lhe dariam direito a constituir grupo parlamentar com o protagonismo político correspondente. Acresce que quer o clã Le Pen está dividido, quer as próprias estruturas dirigentes do partido dão sinais de mal-estar.

O Partido Comunista que estava aliado à FI mantém algum sinal de vida com uma projeção de 11 deputados, mais um do que o dado pelas sondagens mais favoráveis à Frente Nacional. Estes 11 eleitos incluem-se nos previsíveis 30 da FI, o que permite a Mélenchon formar, se quiser, grupo parlamentar sem recorrer aos eleitos do PCF.