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Presidente da Anbang está detido, ou só indisponível...

Thomas Peter/REUTERS

Presidente do grupo chinês que concorreu ao Novo Banco está indisponível por “razões pessoais”. Imprensa diz que está detido

Não é a primeira vez nem será a última que presidentes e altos quadros de empresas e entidades chinesas são detidos ou desaparecem por uns tempos. Desta vez, segundo a imprensa chinesa, citada pela agência Lusa, Wu Xiaohui — o presidente da seguradora Anbang, que era dada como favorita à compra do Novo Banco em 2015 mas que acabou por desistir — encontra-se em parte incerta. Ou melhor, está indisponível. No site da seguradora chinesa surgiram esclarecimentos de que o presidente não podia exercer funções “devido a razões pessoais”, depois de, na quarta-feira, vários meios de comunicação social chineses terem avançado que Wu Xiaohui tinha sido detido pelas autoridades, por estar a colaborar numa investigação.

O jornal de Hong Kong “South China Morning Post” escreveu que Wu estava a cooperar numa investigação e que deixou de ser visto desde o final da semana passada. Já a informação inicialmente avançada pela agência noticiosa chinesa Caijing, sobre a sua detenção, foi apagada da página oficial daquele órgão na internet. O comunicado da Anbang referia ainda que Wu Xiaohui “autorizou os executivos para que se mantenham a dirigir os negócios, que continuam a operar com normalidade”.

Não se sabe quase nada, para já, sobre o que motivou este ‘desaparecimento’ de Wu Xiaohui, multimilionário e casado com uma neta do histórico líder chinês Deng Xiaoping. Sabe-se, contudo, que Xiang Junbo, o anterior presidente da Comissão Reguladora de Seguros da China, foi destituído e colocado sob investigação há dois meses. Ainda que, por si só, esta informação não coloque Wu no centro de tal investigação.

Criada em 2004, com sede em Pequim, a Anbang tem mais de 30 mil trabalhadores e ativos no valor de €227 mil milhões, segundo o site da empresa. A seguradora tornou-se mundialmente famosa em 2014 ao comprar o icónico hotel de Nova Iorque Waldorf Astoria, por 1950 milhões de dólares.

Em agosto de 2015, esta empresa chinesa não conseguiu chegar a acordo com o Banco de Portugal para a compra do Novo Banco, numa corrida em que participaram também os chineses da Fosun e o fundo de investimento norte-americano Apollo — os três candidatos apurados para as negociações exclusivas que acabaram por deixar deserto o primeiro concurso e deram lugar a um novo processo de venda do antigo BES.

Recorde-se, aliás, que, no final de 2015, também o líder da Fosun, Guo Guangchang, considerado o 22º homem mais rico da China e o nº 270 do mundo, segundo a lista da revista “Forbes”, foi também detido pelas autoridades chinesas, tendo aparecido dias depois. A justificação foi a de que esteve a colaborar com uma investigação judicial, mas nunca se perceberam as razões da detenção. Na China é assim.

O líder da Fosun e maior acionista do grupo chinês detém hoje quase 24% do BCP, mas quer chegar aos 30%. Na altura em que foi detido já tinha adquirido a maior seguradora portuguesa, a Fidelidade, e o maior grupo de hospitais, a Luz Saúde.