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Trump anuncia o fim do acordo com Cuba

Chip Somodevilla/ Getty Images

Foi em Miami, perante a comunidade cubana no exílio, que o presidente dos Estados Unidos deu um gigantesco passo atrás nas relações bilaterais iniciadas por Obama em 2014

O discurso feito ontem por Donald Trump em Miami, perante a principal comunidade cubana dos Estados Unidos, já foi qualificado pelo Granma — o diário oficial do Partido Comunista Cubano - como um retrocesso e um "retorno à política da Guerra Fria", que coloca um ponto final à aproximação à ilha iniciada pelo anterior presidente Barack Obama em 2014.

Numa palavra,Trump anunciou o cancelamento do acordo "desequilibrado" com o regime de Raúl Castro, restringindo os negócios com as empresas administradas pelos militares cubanos (Grupo de Administração Empresarial ou Gaesa) e reforçando as limitações nas viagens dos americanos a Cuba.

Donald Trump escolheu bem as palavras que pronunciou à frente do bastião do exílio cubano no seu país, aludindo à "opressão comunista", aos "abusos contra a dissidência" e às "violações dos direitos humanos". E justificou o recuo nas relações bilaterais impulsionadas pelo seu antecessor sob o argumento de que estas "não favorecem o povo cubano e enriquecem o regime".

Na prática, as medidas agora propostas não impedem os cubanos residentes nos Estados Unidos de continuarem a enviar remesas e de viajarem para a ilha. Porém, ao mesmo tempo que mantêm os voos regulares e os cruzeiros turísticos para Cuba, não acabam com o embargo economico que rege sobre o país há mais de meio século.

Em 2014, Barack Obama havia começado um processo de degelo entre ambos os países, reestabelecendo as relações diplomáticas com Cuba e reabrindo, em Havana, a embaixada que fora encerrada em 1961. Dois anos mais tarde, protagonizou a primeira visita à ilha de um presidente norteamericano em mais de 50 anos. Donald Trump não vai voltar a fechar a embaixada, que considera "um canal necessário".

Este anúncio não conta com grandes apoios: segundo dados do Cuba Study Group divulgados ontem, o esfriamento das relações com Cuba não é bem-vindo por 52% dos americanos nem por 64% dos cubanoamericanos.