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Morreu Helmut Kohl, o homem que voltou a unir a Alemanha e ajudou a pensar a UE

Carsten Koall / Getty Images

O antigo chanceler alemão tinha 87 anos. É considerado como um dos principais intervenientes na reunificação da Alemanha. “Um povo que não conhece a sua história, não pode entender o presente e construir o futuro”, foi uma das suas frases mais emblemáticas

Helmut Kohl, antigo chanceler alemão, morreu esta sexta-feira aos 87 anos. A notícia foi avançada pelo jornal “Bild” e entretanto confirmada oficialmente pela União Democrata Cristã (CDU, na sigla original), partido . É considerado como o pai da reunificação da Alemanha e chegou a ser referido como “o chanceler da união”.

Kohl esteve à frente do Governo por 16 anos, entre 1982 e 1998. Após a Segunda Guerra Mundial, foi o chanceler que esteve mais tempo no cargo.

Esta sexta-feira, morreu em sua casa em Ludwigshafen. Há muito que tinha problemas delicados de saúde. Com um longo historial clínico, piorou em 2008, quando sofreu uma queda que o deixou numa cadeira de rodas e com dificuldades na fala. Desde então, a sua presença em eventos públicos tornou-se rara.

Foi também um dos grandes apoiantes da criação da moeda única, tendo convencidos os alemães a abandonar o marco e substituí-lo pelo euro.

“Um povo que não conhece a sua história não pode entender o presente e construir o futuro”, foi uma das declarações emblemáticas.

Kohl era um dos mentores de Angela Merkel, que atualmente lidera a CDU. Apesar desta relação, em 2011, durante a crise financeira, o antigo chanceler acusou a atual líder do Governo de estar a “destruir a minha Europa”.

A terça-feira negra

Em janeiro de 2000, já afastado há dois anos do cargo de chanceler, Kohl demitiu-se da direção da CDU. Em causa estava um escândalo de financiamento do partido.

A 18 de janeiro de 2000, uma terça-feira, a sua era, tragicamente, chegou ao fim. Forçado a demitir-se do cargo de presidente de honra da União Democrata-Cristã (CDU), enquanto não esclarecesse a proveniência das doações ilegais ao partido. Kohl manteve a sua palavra acima da Lei e Constituição, e entregou a honra, recebida com grande emoção no final de 1998. “Não estou em situação de dizer o nome das pessoas que financiaram o meu trabalho e a CDU”, manteve o político.

Foi então que o partido cortou relações. E Angela Merkel, até então protegida pelo líder partidário, justificou a histórica e “dolorosa decisão da direção” do partido com uma refinada humilhação para Kohl: “na CDU todos têm que respeitar a lei...”.