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Internacional

Médicos do jovem dos EUA repatriado por Pyongyang desmentem lesões cerebrais causadas por “botulismo”

KYODO / Reuters

Otto Warmbier, detido na Coreia do Norte em 2016 por tentar roubar um cartaz de propaganda de um hotel, foi repatriado em estado de coma. A equipa de médicos que agora o vigia afasta a explicação dada pelo regime norte-coreano para justificar o “estado de vigília não reativo” em que o jovem se encontra

O estudante norte-americano Otto Warmbier, detido na Coreia do Norte em 2016, foi repatriado esta terça-feira em estado de coma, após ter estado preso durante mais de 15 meses. A situação do jovem de 22 anos é estável, mas a origem das lesões cerebrais de que padece continua desconhecida, segundo a equipa médica que o está a companhar em Cincinnati.

De acordo com o regime de Pyongyang, Warmbier encontrava-se em coma desde o ano passado devido a um caso de botulismo e a um comprimido para dormir que tomou após o julgamento que o condenou a 15 anos de prisão. No entanto, a equipa de médicos que agora o vigia não identificou "nenhum sinal de botulismo" no organismo, afastando assim a explicação fornecida pela Coreia do Norte.

"A sua condição neurológica pode ser descrita como um estado de vigília não reativo", declarou o neurologista Daniel Kanter, numa conferência de imprensa. Warmbier "não mostra compreensão da linguagem" e tem uma "extensa perda de tecido cerebral", provavelmente causada por uma paragem cardiorrespiratória, acrescentou o clínico. Segundo avança a BBC, a equipa médica acredita que foi essa paragem cardiorrespiratória, e consequente falta de oxigénio e de sangue no cérebro, que o deixaram neste estado.

De acordo com os exames realizados no Centro Médico de Cincinnati após o repatriamento, não há sinais de que o jovem tenha sido abusado fisicamente durante a detenção.

Fred Warmbier, pai de Otto, tem muitas dúvidas sobre as explicações da Coreia do Norte para o estado de coma do seu filho. "Mesmo que possa acreditar-se num caso de botulismo e um comprimido para dormir como sendo a causa do coma – e nós não acreditamos –, não há desculpa para uma nação civilizada ter mantido a sua condição em segredo e negar-lhe cuidados médicos". O progenitor acrescentou ainda que tanto ele como a sua mulher só souberam da condição clínica do filho na semana passada.

Otto Warmbier, estudante de Economia da Universidade da Virgínia, foi detido e condenando a uma pena de 15 anos de prisão por tentar roubar, de um hotel, um cartaz de propaganda do regime comunista em janeiro de 2016, durante uma visita ao país. Segundo avança o "The Guardian", no seu primeiro comentário oficial desde que Warmbier voltou para casa, a Coreia do Norte disse que a libertação do jovem se deveu a razões humanitárias.