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Facebook forneceu identidade de alguns dos seus moderadores a supostos terroristas

Justin Sullivan/GETTY

O erro expôs as identidades de mais de mil moderadores, entre os quais os 40 da unidade de contraterrorismo do Facebook sedeada na Irlanda. A suspeita surgiu quando os moderadores começaram a receber pedidos de amizade de pessoas associadas a organizações terroristas que estavam a vigiar

O Facebook forneceu inadvertidamente as identidades dos seus moderadores a supostos terroristas que estavam a vigiar a rede social, segundo uma falha de software revelada esta sexta-feira pelo “The Guardian”.

Ao todo terão sidos expostas as identidades de mais de mil funcionários de 22 departamentos do Facebook que controlavam e removiam da rede social conteúdos considerados desadequados, nomeadamente de cariz sexual, discursos de ódio e propaganda terrorista, devido ao problema detetado em novembro do ano passado.

Entre os afetados, estavam 40 elementos da unidade de contraterrorismo que trabalhavam na sede europeia do Facebook em Dublin, Irlanda. A situação terá sido especialmente sensível para seis destes colaboradores, cujas páginas pessoais deverão ter sido acedidas por supostos terroristas. Pelo menos um deles terá abandonado a Irlanda devido ao receio de ser alvo de retaliações.

“A punição do Daesh [autodenominado Estado Islâmico] para trabalhar no contraterrorismo é a decapitação. Tudo o que eles precisam de fazer é dizer a alguém daqui que seja radical”, indicou ao “The Guardian” o colaborador em causa, que falou sob anonimato.

A decisão de se esconder durante cinco meses na Europa de Leste foi tomada pelo colaborador após ter descoberto que sete indivíduos que ele banira –associados a um suposto grupo terrorista baseado no Egito, apoiado pelo Hamas e com simpatizantes do Daesh entre os seus membros – haviam visitado o seu perfil pessoal.

Natural do Iraque e com cerca de 20 anos, o funcionário do Facebook encontrava-se a viver na Irlanda desde criança, com a família, após o seu pai ter sido raptado e espancado e o seu tio executado. “O único motivo porque nós estávamos na Irlanda era para escapar ao terrorismo e às ameaças”, afirmou ao jornal britânico.

O colaborador indicou que as seis pessoas para quem a situação se revelou especialmente perigosa tiveram os seus perfis visionados por contas associadas ao Daesh, ao Hezbollah e ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

A suspeita surgiu quando os moderadores do Facebook começaram a receber pedidos de amizade de pessoas que estavam a vigiar devido às suspeitas de ligação a organizações terroristas.

O Facebook descobriu depois que os perfis dos moderadores estavam a surgir automaticamente nos registos de atividade dos grupos que eles estavam a encerrar, devido a um bug do software que foi superado duas semanas mais tarde, a 16 de novembro de 2016.