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Internacional

Bruxelas não renegoceia Acordo de Paris

PATRICK SEEGER

“A União Europeia não vai renegociar o Acordo de Paris” sobre o clima, garantiu esta quarta-feira Jean-Claude Juncker

O presidente da Comissão Europeia assegurou hoje, perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, que “a União Europeia não vai renegociar o Acordo de Paris” sobre o clima, apesar do abandono dos Estados Unidos, que classificou como uma desilusão.

“Os 29 artigos do acordo devem ser implementados e não renegociados. A ação climática não necessita de mais distrações. Passámos 20 anos a negociar, agora é tempo de agir, é tempo de implementar”, declarou Jean-Claude Juncker, que foi ovacionado pelos eurodeputados.

Juncker disse que a UE está “desapontada” e “lamenta a decisão” da administração norte-americana liderada por Donald Trump de “abdicar da ação comum” no combate ao aquecimento global, mas sublinhou que a mesma “não significa o fim do Acordo de Paris”.

O presidente do executivo comunitário manifestou-se mesmo convicto de que “tornará o resto do mundo mais unido e determinado em trabalhar com vista à plena implementação” do “acordo histórico” assinado na capital francesa em 2015.

Juncker insistiu que os efeitos das alterações climáticas estão à vista de todos, lamentando que “nem todos no mundo os vejam”.

“Desta vez, não podemos fingir que não sabíamos. Em todo o mundo o número de catástrofes naturais devido ao clima mais do que triplicaram desde o início dos anos 1960, e cada ano estas catástrofes causam mais de 60 mil mortos, principalmente nos países em desenvolvimento, registando-se episódios de seca cada vez mais graves, como é o caso atualmente na África Oriental”, disse.

O debate sobre a decisão dos Estados Unidos de se retirarem do Acordo de Paris contou com a participação da presidente das Ilhas Marshall, o primeiro país a ratificar o acordo e um dos mais ameaçados pelo aquecimento global, dado ser constituído por ilhas e atóis.

Apelando à comunidade internacional para que tente convencer Donald Trump da necessidade de rever a sua decisão, Hilda Heine sublinhou o risco crescente que o seu país enfrenta.

“Não temos para onde fugir nem onde nos escondermos”, declarou.

Ainda hoje, o Parlamento Europeu vai votar uma proposta legislativa que põe em prática os compromissos decorrentes do Acordo de Paris, estabelecendo as contribuições mínimas dos Estados-membros da UE para a redução das emissões no período de 2021 a 2030.

A proposta visa atingir, nos setores abrangidos, uma redução das emissões de 30% até 2030, em comparação com os níveis de 2005.

Concluído em 12 de dezembro de 2015 na capital francesa, assinado por 195 países e já ratificado por 147, o Acordo de Paris entrou formalmente em vigor em 04 de novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial, reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

Portugal ratificou o acordo em 30 de setembro de 2016, tornando-se o quinto país da União Europeia a fazê-lo e o 61.º do mundo.

O acordo histórico teve como "arquitetos" centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os líderes a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo, à exceção de Donald Trump.

Quando anunciou, a 01 de junho passado, a decisão de retirar os Estados Unidos do Acordo, por este ser alegadamente "desvantajoso" para o país, Trump afirmou-se disponível para negociar um novo compromisso em termos "mais justos", cenário imediatamente rejeitado pela generalidade da comunidade internacional, incluindo a UE.