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Internacional

Comida “contaminada” deixa mais de 700 pessoas doentes num campo de refugiados no Iraque

Mulher recebe tratamento médico num hospital em Erbil, depois de ter ingerido alimentos contaminados no campo de refugiados perto de Mossul, no Iraque.

KAMAL AKRAYI/EPA

Instituição de caridade do Qatar é acusada de ser a responsável pela entrega da comida “contaminada”, mas estas alegações estão ainda por provar

Helena Bento

Jornalista

Mais de 700 pessoas ficaram doentes depois de terem ingerido alimentos que se encontravam alegadamente contaminados, num campo para refugiados perto de Mossul, no Iraque.

Das vítimas, cerca de 200 foram encaminhadas para Erbil, capital do curdistão iraquiano, e outras cidades próximas. As restantes foram assistidas no local. À Associated Press, o ministro da Saúde do Iraque, Adila Hamoud, disse que as pessoas ficaram doentes após terem ingerido uma refeição na segunda-feira à noite, no campo Hassan Sham U2, cerca de 20 quilómetros a leste de Mossul, onde estão instalados centenas de residentes de Mossul, que deixaram as suas casas e fugiram da cidade por causa do autoproclamado Estado Islâmico. As primeiras vítimas apresentaram sintomas de intoxicação alimentar (vómitos, diarreia e dores abdominais).

O campo de refugiados em causa é gerido pelas Nações Unidas em colaboração com as autoridades iraquianas. Andrej Mahecic, da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, lamentou o sucedido. “É trágico que isto tenha acontecido a pessoas que já passaram por tanto”, disse, citado pelo “Guardian”.

A refeição, conhecida como iftar - que interrompe o período de jejum dos muçulmanos entre o amanhecer e o pôr-do-sol, durante o Ramadão - e que incluía arroz, molho de feijão, carne, iogurtes e água, terá sido financiada, segundo o “Guardian”, pela organização Help the Needy Charitable Trust, que está sediada no Reino Unido e trabalha há vários anos no Iraque em projetos de assistência médica. Assim que tomou conhecimento do sucedido, a organização terá imediatamente enviado apoio médico para o campo de refugiados, garantindo, ao mesmo tempo, que irá apurar responsabilidades junto do restaurante que foi contratado para preparar as cerca de 2000 refeições e que é “totalmente responsável” pelos alimentos que foram servidos às pessoas instaladas no campo.

Outras fontes adiantam que o restaurante se localiza em Erbil, tendo a comida sido preparada por uma ONG local, a Ain el Muhtajeen, e enviada por uma instituição de caridade do Qatar conhecida como RAF. Segundo o presidente da câmara de Erbil, citado pela agência de notícias curda Rudaw, o dono do restaurante foi já detido pelas autoridades. No Twitter, a estação de televisão estatal da Arábia Saudita acusou a RAF de dar comida estragada e divulgou imagens das crianças no campo que foram “envenenadas pela organização terrorista qatari RAF”. Estas alegações estão, porém, ainda por provar.

A organização não-governamental Crescente Vermelho iraquiano começou por afirmar que havia duas vítimas mortais - uma mulher e uma criança - e a Agência das Nações Unidas para os Refugiados afirmou, também numa fase inicial, que uma criança de seis anos tinha morrido. Essas informações foram entretanto desmentidas pela própria agência, que assegurou que não foram registadas vítimas mortais e adiantou que o incidente está a ser investigado pelas autoridades iraquianas.