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Peça teatral que apresenta Trump como Júlio César perde patrocinadores

GETTY

O imperador romano é apresentado como um executivo de cabelo loiro e fato azul, e a sua mulher, Calpurnia, ostenta peças de designers e fala com um sotaque eslavo, na nova edição do Conto de Shakespeare no Parque, um programa teatral que é apresentado todos os anos em Nova Iorque

A Delta Air Lines e o Bank of America anunciaram este domingo à noite que decidiram deixar de patrocinar o Conto de Shakespeare no Parque que todos os anos decorre no Central Park de Nova Iorque, tudo porque este ano a iniciativa vai apresentar uma encenação de “Júlio César” que transforma a peça numa aparente critica ao atual Presidente norte-americano Donald Trump.

O imperador romano surge nesta versão como um empresário loiro de fato azul, e a sua mulher Calpurnia ostenta peças de designers e fala com sotaque eslavo – o que estabelece paralelismos óbvios com a primeira-dama Melania Trump. Na peça de Shakespeare, César é assassinado no fim.

A Delta Air Lines justifica a sua decisão no Twitter considerando que os produtores “ultrapassaram os limites do bom gosto”. E o Bank of America considera que ao terem “decidido apresentar Júlio César desta forma, pretendem provocar e ofender”, acrescentando, na sua declaração, que se tivesse sabido antecipadamente “não teria patrocinado” a peça da companhia Public Theater.

Estes reações surgiram após o filho do Presidente, Donald Junior, ter criticado a peça estreada a 23 de maio e que irá ficar em cena até 18 de junho.

No seu site, a companhia teatral já reagiu declarando que a “peça é tão frágil quanto a democracia”.

Esta não é, contudo, a primeira vez que um Presidente americano é apresentado como o protagonista da peça levada a cena. Em 2012, a Acting Company encenou o mesmo clássico apresentando o imperador com óbvias semelhanças a Barack Obama. Na altura, o caso não gerou o mesmo tipo de críticas ou a retirada de patrocínios.