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Internacional

Oposição russa prepara-se para sair às ruas contra a corrupção governamental

DMITRY SEREBRYAKOV

Alexei Navalny, um dos mais famosos críticos de Vladimir Putin, é quem está a dinamizar a manifestação não-autorizada convocada para esta segunda-feira em Moscovo

Os apoiantes do líder da oposição russa, Alexei Navalny, estão a ser convocados a encher o centro de Moscovo esta segunda-feira à tarde para um protesto não-autorizado contra fraude e corrupção governamental, perante avisos da procuradoria moscovita de que vai autorizar a polícia a atuar contra quaisquer manifestações que não tenham obtido o aval das autoridades.

Navalny foi autorizado a organizar o protesto desta segunda-feira, que estava contudo marcado para outro local, e diz que decidiu alterar o ponto de concentração após as autoridades terem tentado "humilhar" os manifestantes. Esta manhã, já estão a ser registados pequenos protestos em cidades do extremo-leste da federação.

A última onda de protestos convocados por Navalny no passado mês de março culminou em centenas de detenções, depois de o líder da oposição ter acusado o primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, de operar um império imobiliário secreto e ilegal tendo como fachada uma organização não-governamental.

A manifestação desta segunda-feira, com início previsto para as 11h (hora de Lisboa), está a ser vista como mais um teste à resiliência e revolta dos russos, sobretudo das gerações mais jovens, perante novas denúncias de corrupção aos mais altos níveis do aparato governamental — mas também servirá para tirar a temperatura à população numa altura em que Navalny se prepara para tentar derrotar Vladimir Putin nas presidenciais de 2018, aponta a Reuters.

"Quero mudanças. Quero viver num Estado democrático moderno e quero que os nossos impostos sejam convertidos em estradas, escolas e hospitais, não em iates, palácios e vinhas", escreveu Navalny nas redes sociais. O advogado de 41 anos, que já esteve preso por liderar protestos desta natureza contra o governo de Putin, ficou parcialmente cego em abril deste ano depois de ter sido atacado com um líquido verde tóxico.

"Ao convocar multidões para o centro de Moscovo, Alexei Navalny criou o palco para um confronto", refere esta manhã a correspondente da BBC na cidade russa. "O gabinete do procurador já deixou claro que o protesto na rua Tverskaya, perto do Kremlin, não foi autorizado. Num comunicado emitido depois da meia-noite, avisou que a polícia vai agir contra aqueles que violarem a lei. Isto pode traduzir-se numa repetição das cenas registadas em março, quando centenas de pessoas foram detidas durante uma manifestação anti-corrupção, muitas delas adolescentes", explica Sarah Rainsford.

"Navalny alega que foi forçado a convocar um novo protesto não-autorizado porque nenhuma empresa aceitou fornecer o palco, os ecrâs e os altifalantes para a manifestação que ele tinha sido autorizado a organizar. É por isso que, em vez disso, decidiu convocar uma marcha para o centro de Moscovo. Hoje é feriado nacional e há uma série de eventos oficiais convocados para a rua Tverskaya para marcar o Dia da Rússia, incluindo alguns de cariz militar."