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Internacional

A primavera Macron

CHRISTOPHE PETIT TESSON / EPA

As eleições legislativas francesas deixam o Presidente Emmanuel Macron com as mãos livres e um poder quase absoluto. A futura Assembleia francesa será quase de uma só cor

A primeira volta das legislativas francesas ampliou a recente vitória de Emmanuel Macron nas presidenciais e pôs fim ao bipartidarismo (socialistas/direita) que sempre alternou no poder na V República.

A vaga do movimento República Em Marcha (REM), criado há pouco mais de um ano, traduziu-se numa autêntica vassourada na antiga classe política eliminando alguns dos dirigentes mais conhecidos do país, incluindo o candidato socialista às presidenciais Benoît Hamon, e o lider do partido, Jean-Cristophe Cambadélis, ou dirigentes ecologistas de nomeada como Cécile Duflot.

As projeções para a segunda volta do próximo domingo apontam para a entrada na Assembleia de centenas de caras novas, muitos deles completamente desconhecidos e inexperientes na política.

As eleições realçam uma “primavera Macron” e representam um sismo político de grande envergadura. Os resultados definitivos da primeira volta são claros – o REM alcançou 32,32% e Os Republicanos (direita) 21,56%, mas estes estão muito divididos e alguns dos seus deputados anunciam que poderão cooperar com Macron e o Governo, que é aliás dirigido por um membro deste partido.

Todos os outros agrupamentos políticos ficaram muito aquém das suas expectativas. A Frente Nacional obteve 13,2% e só a sua líder, a nacionalista Marine le Pen, aparece em condições claramente favoráveis para vencer na segunda volta. Já a França Insubmissa, do radical de esquerda Jean-Luc Mélenchon, alcançou 11,02%, também muito abaixo da votação das recentes presidenciais. Mélenchon também está em condições de ser eleito no próximo domingo no seu círculo eleitoral.

Já o PS ficou destroçado e muitos dos seus antigos ministros e deputados foram varridos e mesmo humilhados nos seus círculos. Os socialistas obtiveram apenas 9,51% dos votos e os ecologistas e os comunistas também não se salvaram: alcançaram respetivamente 4,3% e 2,72%.

A campanha para a segunda volta arrancou já esta segunda-feira e prevê-se que, devido ao sistema eleitoral uninominal maioritário a duas voltas, o futuro parlamento francês será quase de uma só cor. O REM poderá alcançar uma maioria absoluta esmagadora com cerca de 450 lugares num total de 557 deputados.