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Só os níveis de abstenção assustam Macron

Abstenção poderá chegar aos 50%, tirando algum brilho à vitória anunciada do partido que apoia o novo presidente Macron

Por volta da hora de jantar de hoje saber-se-á se se confirma a tendência para uma vitória esmagadora do partido do presidente Emmanuel Macron (República em Marcha, REM) na primeira volta das eleições legislativas francesas de hoje. Para já e a poucos minutos do fecho das urnas o único motivo de inquietação deste partido é a baixa participação eleitoral, muito provavelmente na casa do 50% o que significará um forte aumento relativamente aos 48% das anteriores legislativas em 2012.

Comentadores da estação televisiva francesa France 24 têm avançado com a tese de que, a curto ou médio prazo, isto pode de alguma maneira limitar a legitimidade política da previsível vitória de Macron, deslocando para a rua (greves, manifestações, etc) o afrontamento político em detrimento das bancadas da Assembleia Nacional.

Estão inscritos 47 milhões de eleitores no território continental francês a que acrescem mais 1,3 milhões de franceses residentes no exterior. Apresentam-se 7 877 candidatos, concorrendo a 577 mandatos, logo a maioria absoluta atinge-se com 289 mandatos.

O sistema francês é diferente do português não havendo repartição de mandatos na proporção dos votos obtidos por cada partido. O escrutínio tem duas voltas. Qualquer candidato que tenha mais de 50% dos votos expressos à primeira volta é automaticamente eleito. Caso contrário há segunda volta à qual se apresentarão todos os candidatos que tenham tido mais de 12,5% dos votos. Podem ser duelos a dois ou por vezes a três, as famosas “triangulares” da política francesa.

Este sistema faz com que seja normal negociar acordos de apoio ou desistência entre candidatos de formações diferentes, o que, em particular, costuma funcionar como barreira à eleição de candidatos da extrema-direita como os da Frente Nacional, já que socialistas, liberais e conservadores se põem geralmente de acordo em círculos onde haja hipótese de vitória da FN. Isto pode também fazer com que as magras sondagens dos socialistas (abaixo dos 10% ) sejam mitigadas à segunda volta por este tipo de acordos e que o PS não só consiga manter um grupo parlamentar (pelo menos 15 deputados), como supere a FN e a Esquerda Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon.

Ainda assim supõe-se que tanto Le Pen como Mélenchon venham a ter assento na futura assembleia.