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Qatar diz que lista de terroristas publicada pela Arábia Saudita e aliados é infundada 

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Governo do Qatar garante que a sua posição na luta contra o terrorismo é mais forte do que muitos das nações que que cortaram relações diplomáticas com o país

O Qatar rejeitou esta sexta-feira as acusações "infundadas" que constam de uma lista de indivíduos e organizações "terroristas" que são apoiados, segundo a Arábia Saudita e aliados, por Doha.
"A recente declaração publicada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito (...) confirma, mais uma vez, as acusações infundadas", afirmou o Qatar num comunicado.

Doha reagia assim a uma lista de indivíduos e organizações alegadamente ligadas a atividades "terroristas" apoiadas pelo Qatar publicada pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito, que cortaram na segunda-feira relações diplomáticas com o país.

A lista elenca 59 pessoas e 12 entidades que se encontram "ligados ao Qatar e estão ao serviço de um programa político suspeito do Qatar", o que demonstra - segundo o comunicado conjunto dos quatro países - que Doha "afirma, por um lado, lutar contra o terrorismo, mas que, por outro, apoia, financia e abriga organizações terroristas".

"A nossa posição na luta contra o terrorismo é mais forte do que a de muitos dos signatários desse comunicado conjunto", acrescentou o governo do Qatar.

Essa lista, publicada esta sexta-feira pelos sauditas e seus aliados, contém pelo menos dois nomes já citados internacionalmente como financiadores do terrorismo e contra os quais o Qatar tomou medidas, de acordo com um relatório recente publicado pelo Departamento de Estado norte-americano.

Da lista fazem também parte indivíduos e grupos oriundos do Egito, Bahrein ou da Líbia.

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e o Egito anunciaram sucessivamente na segunda-feira o corte de relações diplomáticas com o Qatar - num gesto seguido depois por outros países como Iémen e Líbia -, acusando-o de "apoiar o terrorismo" e de manter relações próximas com o Irão, num gesto que desencadeou a mais grave crise regional desde a guerra do Golfo, em 1991.

O corte de relações diplomáticas - complementado com uma série de medidas para isolar o país, como encerramento de fronteiras terrestres e do espaço aéreo e marítimo aos meios de transporte do país - culmina anos de tensões na aliança entre os produtores de petróleo do Golfo e reflete uma irritação crescente dos países vizinhos com o apoio do Qatar a organizações que os outros Estados árabes consideram terroristas.

Esses países acusam Doha de ter ligações com "organizações terroristas e grupos sectários que procuram desestabilizar a região, entre os quais a Irmandade Muçulmana, o Daesh (acrónimo árabe do grupo autoproclamado Estado Islâmico) e Al-Qaida".

O Qatar rejeita as acusações, classificando-as como "calúnias injustificadas", e garante que "está a lutar contra o terrorismo e o extremismo", enquanto a comunidade internacional tenta arranjar forma de pôr fim a esta crise diplomática.

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