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Barnier: “Negociações do Brexit devem começar quando o Reino Unido estiver pronto”

GEORGES GOBET/AFP/GETTY

O negociador da UE para o Brexit sugere que Londres terá mais tempo para começar negociações da saída do bloco

O negociador da UE para o Brexit, Michel Barnier, deu esta sexta-feira a entender que Bruxelas pode dar mais tempo a Londres para iniciar as negociações do Brexit, depois das eleições legislativas que retiraram a maioria absoluta ao Partido Conservador no Parlamento britânico.

As negociações de saída do Reino Unido da União Europeia "devem começar quando o Reino Unido estiver pronto. O calendário e as posições da UE são claros. Unamos os nossos esforços para concluir um acordo", afirmou através da rede social Twitter, Michel Barnier, que antes tinha dito esperar começar as negociações na semana de 19 de junho.

Já o coordenador do Parlamento Europeu para as negociações do Brexit, Guy Verhofstadt, considerou hoje o resultado das eleições no Reino Unido "mais um golo na própria baliza" de Theresa May, estimando que "fará com que as negociações, já de si complexas, se tornem ainda mais complicadas".

Numa declaração enviada à agência Associated Press, Verhofstadt acrescentou: "pensava que o surrealismo fosse uma invenção belga".

No ano passado, David Cameron, então líder dos conservadores britânicos, convocou um referendo com o objetivo de legitimar pelo voto a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Agora, Theresa May antecipou as eleições legislativas com o objetivo de se reforçar politicamente antes do início das negociações do Brexit.

"Foi outro golo na própria baliza, primeiro Cameron, agora May", considerou Verhofstadt, manifestando a esperança de que o Reino Unido consiga, tão depressa quanto possível, "um governo estável para iniciar as negociações", que também são importantes para o futuro da Europa.

Declarados 649 dos 650 lugares na Câmara dos Comuns, o partido Conservador elegeu 318, menos oito do que os necessários para uma maioria absoluta e menos 12 do que antes das eleições.

O partido Trabalhista adicionou 29 aos que possuía, somando 261 deputados.

O Partido Nacionalista Escocês conquistou 35 lugares, os Liberais Democratas 12 (+4), o Partido Democrático Unionista (Irlanda do Norte) 10 (+2), o Sinn Féin sete (+3), os nacionalistas galeses do Plaid Cymru quatro (+1), os Verdes um e foi eleito um independente na Irlanda do Norte.

Com estes resultados, o Reino Unido tem o que se conhece por "hung parliament", literalmente parlamento suspenso, em que nenhum partido consegue lugares suficientes para formar uma maioria absoluta e não poderá governar sozinho, precisando do apoio de outras formações políticas.