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Internacional

Países do Golfo ameaçam Qatar com sanções

A corrida aos supermercados em Doha pode repertir-se caso se confirmem as sanções ao Qatar

NASEEM ZEITOON / REUTERS

À medida que a tensão aumenta na região do Golfo, o comité para os direitos humanos do Qatar está preocupado com os mais de onze mil cidadãos sauditas, dos Emirados Árabes e do Bahrain que vivem atualmente no país e que estarão a ser forçados pelos seus governos a deixarem Doha

Os Emirados Árabes Unidos (UAE) ameaçaram impor um embargo económico ao Qatar, enquanto o Bahrain disse que “todas as opções” estão sobre a mesa, uma vez que a crise no Golfo não mostrou sinais de abrandar esta quinta-feira.

A conversa entre os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) ocorreu na quarta-feira, apesar dos esforços do Presidente dos EUA Donald Trump e do Emir do Kuwait, Sabah al-Ahmad Al-Sabah, para evitar uma nova disputa. A tensão começou na segunda-feira, quando a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, Bahrain e Egito, anunciaram que iam cortar relações diplomáticas com o Qatar, acusando-o de apoiar grupos armados e o Irão.

De acordo com a Al Jazeera, o ministro dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, disse à agência Reuters que haverá mais restrições económicas no Qatar, se necessário, e disse que o Governo de Doha precisa assumir compromissos para mudar o que os críticos dizem ser uma política de financiamento de grupos armados.

O governante do Kuwait, o xeque Sabah Al Ahmad Al Sabah, viajou dos UAE para o Qatar, na quarta-feira, depois de uma visita à Arábia Saudita no dia anterior para resolver a crise.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrain, o xeque Khalid bin Ahmed Al Khalifa, terá dito ao jornal saudita “Mecca” que duvida que o Qatar venha a mudar o seu comportamento. “Não hesitaremos em proteger os nossos interesses e estamos abertos a qualquer opção para nos proteger do Qatar”, disse.

Gargash, MNE dos Emirados, afirmou que as medidas tomadas contra o Qatar não se destinam a procurar uma nova liderança para Doha. “Não se trata de uma mudança de regime - trata-se de uma mudança de política, mudança de abordagem”, disse à agência de notícias AFP no Dubai.

Depois de aparentemente mostrar apoio aos movimentos contra o Qatar nos tweets enviados na terça-feira, no dia seguinte Trump chamou o Emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani e, mais tarde, o príncipe herdeiro dos Emirados Árabes, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, para acalmar a situação.

“Primeiro e, o mais importante, os líderes concordaram em aplicar os acordos alcançados em Riade para combater o extremismo e o financiamento de grupos terroristas”, pode ler-se num comunicado da Casa Branca sobre as conversas entre Trump e Nahyan.

“Além disso, o Presidente enfatizou a importância de manter um Conselho de Cooperação do Golfo unido, para promover a estabilidade regional, mas nunca à custa de eliminar o financiamento do extremismo radical ou derrotar o terrorismo”, acrescentou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, disse que os Estados do Golfo podem resolver a disputa com o Qatar entre eles, sem ajuda externa. “Não pedimos mediação, acreditamos que esta questão possa ser tratada entre os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo”, declarou numa conferência em Berlim.

Entretanto um comité para os direitos humanos do Qatar mostrou-se preocupado com os mais de onze mil cidadãos sauditas, dos Emirados Árabes e do Bahrain que vivem atualmente no país e que estarão a ser forçados pelos seus governos a deixarem Doha.

O mesmo comité também está apreensivo com as possíveis ameaças aos direitos humanos dos cidadãos do Qatar que vivem fora do país, na região do Golfo.