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Internacional

Irão “repugnado” com reação de Trump ao duplo atentado em Teerão

Um agente da polícia à paisana aguarda orientações para retomar o controlo do parlamento em Teerão

AFP

“Os Estados que patrocinam o terrorismo arriscam-se a tornarem-se vítimas do mal que promovem”, declarou o Presidente norte-americano no rescaldo dos ataques que, na quarta-feira de manhã, causaram pelo menos 13 mortos na capital do Irão

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão classificou ontem como “repugnante” o comunicado que a Casa Branca emitiu no rescaldo do duplo atentado suicida reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) que abalou a capital iraniana durante a manhã e que provocou pelo menos 13 mortos.

No comunicado, a administração de Donald Trump disse que estava a rezar pelas vítimas mas acrescentou que “Estados que patrocinam o terrorismo arriscam-se a tornarem-se vítimas do mal que promovem”.

No Twitter, o ministro Javad Zarif disse-se “repugnado” com as alegações do Governo dos EUA e sublinhou que os responsáveis pelo ataque, que acabaram por ser todos abatidos pela polícia tanto no Parlamento como no mausoléu do aiatola Khomeini, pertencem ao Daesh, um grupo radical que “tem sido apoiado por clientes dos Estados Unidos”.

Twitter/@JZarif

Oficialmente, o Governo iraniano informou ontem que os suspeitos eram todos iranianos, que se juntaram ao Daesh depois de o grupo radical ter prometido apontar a mira aos muçulmanos xiitas que compõem a maioria da população do país. Num primeiro tweet antes de reagir ao comunicado da Casa Branca, Zarif tinha sugerido que por trás do ataque podiam estar os seus rivais regionais. “Déspotas que patrocinam o terrorismo e que ameaçam trazer a luta para a nossa pátria. Ataques por procuração contra o que os seus criadores mais desprezam: o assento da democracia”, afirmou.

O duplo atentado, que durou várias horas e que envolveu uma situação de reféns no Parlamento iraniano, foi o primeiro no Irão a ser reivindicado pelo Daesh, um grupo de militantes sunitas que seguem uma ideologia semelhante ao wahabismo da Arábia Saudita. Teve lugar dias depois de esse país, a par do Bahrain, dos Emirados Árabes Unidos e do Egito, terem cortado relações com o Qatar e fechado os seus espaços aéreos a aviões provenientes desse emirado do Golfo em parte por causa das relações que o país de maioria sunita mantém com o Irão xiita.

A Arábia Saudita, um aliado-chave dos Estados Unidos, tem estado a financiar com dinheiro e armas grupos islamitas que estão na Síria a lutar contra o Governo xiita de Bashar al-Assad, o único grande aliado regional do Irão. Instituições de caridade e indivíduos sauditas também têm sido acusados de financiar grupos sunitas extremistas em vários países da região nos últimos 20 anos.

Todos estes acontecimentos surgiram no rescaldo de uma visita oficial de Donald Trump a Riade, há um mês, durante a qual o Presidente norte-americano culpou o Irão pela instabilidade na região. No rescaldo do atentado de quarta-feira, o poderoso Corpo da Guarda Revolucionária do Irão também acusou a Arábia Saudita e os Estados Unidos de estarem por trás dele. O líder supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, adotou outra postura, sem atribuir culpas e minimizando o significado do duplo ataque — um ato “desastrado com fogo-de-artifício” que “não vai afetar a nação”.

  • Daesh reivindica duplo atentado em Teerão. Há 12 mortos, vários feridos e reféns no Parlamento

    Tiroteio dentro do edifício ainda está a decorrer. Há relatos contraditórios sobre o número de feridos e mortos, com alguns media locais a falarem em pelo menos 12 vítimas mortais. A IRNA, a agência estatal iraniana, diz que a polícia já deteve um dos suspeitos. Assalto já reivindicado pelo Daesh foi lançado ao mesmo tempo que um ataque suicida frente ao mausoléu do aiatola Khomeini, a vários quilómetros de distância do Parlamento