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Ex-diretor do FBI acusa Casa Branca de mentir e de o difamar

JIM WATSON/GETTY

James Comey, que está a ser ouvido esta tarde no Senado, diz não ter dúvidas de que a Rússia tentou influenciar as eleições norte-americanas

James Comey acusou esta quinta-feira a administração de Donald Trump de mentir e o difamar, após as explicações dadas sobre o seu despedimento há um mês da direção do FBI. “A Casa Branca escolheu difamar-me”, declarou o ex-diretor do FBI numa audição na comissão de serviços de informação do Senado.

Admitindo que estava preparado para poder ser eventualmente demitido, James Comey disse, contudo, não entender os motivos apresentados pelo Presidente norte-americano para a sua saída. “As explicações confundiram-me e preocuparam-me. Ele disse-me várias vezes que estava a fazer um ótimo trabalho e que tinha falado com muitas pessoas sobre mim. (...) E depois fiquei confundido quando vi o Presidente dizer na televisão que me despediu por causa da investigação sobre a Rússia”, acrescentou.

Comey disse não ter dúvidas de que o governo russo tentou influenciar as eleições norte-americanas, sublinhando, no entanto, que não acreditava que algum voto tivesse sido manipulado. Questionado sobre se Trump lhe pediu diretamente para parar a investigação sobre a Rússia, Comey disse que segundo o “seu entendimento não”. No entanto, o ex-diretor do FBI interpretou uma “instrução” nesse sentido durante uma conversa com o Presidente norte-americano, que se referia sempre a tal investigação como uma “nuvem.”

Na quarta-feira, Comey enviou uma declaração escrita ao Congresso, onde já adiantava que Trump lhe sugeriu que abandonasse a investigação a Michael Flynn, ex-conselheiro de segurança nacional implicado no caso da alegada interferência russa nas presidenciais.

Durante esta tarde, Comey disse acreditar que Trump talvez pudesse achar que dedicou demasiado tempo à investigação sobre a Rússia em vez de focar-se noutros casos.

Em relação às reuniões mantidas com o Presidente norte-americano, Comey admitiu também que “estava genuinamente preocupado” com a possibilidade de Trump poder mentir sobre o teor dos encontros, pelo que começou a tirar notas dos mesmos. Era uma situação inédita face aos encontros com outros Presidentes.

Quanto ao caso dos emails de Hillary Clinton, Comey defendeu que se fosse hoje trataria do processo da mesma forma, em nome da Justiça.

Por último, o ex-diretor do FBI defendeu na sua intervenção inicial a importância de o organismo se manter independente no futuro. “O FBI é honesto, o FBI é forte e o FBI será sempre independente”, concluiu.

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