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Wall Street Journal critica Trump pela guerra de palavras com Sadiq Khan

ODD ANDERSEN

"Líderes mundiais inclinados para atacar políticos municipais em cidades estrangeiras parecem pequenos — não que nos lembremos de haver um precedente"

"Até o conselho editorial conservador do Wall Street Journal acha que os tweets de Trump são um grande problema." Assim escreveu ontem o "Huffington Post", em referência ao editorial daquele jornal norte-americano no mesmo dia, no qual a equipa de diretores e editores declarou: "Há cada vez mais provas de que o opositor mais eficaz à presidência Trump é Donald J. Trump."

"Líderes mundiais inclinados para atacar políticos municipais em cidades estrangeiras parecem pequenos — não que nos lembremos de haver um precedente", lia-se no editorial de terça-feira do WSJ. "Se Theresa May tem uma opinião sobre Bill de Blasio [atual autarca de Nova Iorque], manteve-a para si própria, apesar de a primeira-ministra [britânica] se ter sentido na obrigação de dizer que Khan está 'a fazer um bom trabalho' e que 'é errado dizer outra coisa qualquer'. Num humilhante golpe de misericórdia, o gabinete do autarca [londrino] teve de emitir um comunicado a dizer que ele 'tem coisas mais importantes para fazer do que responder' aos insultos do senhor Trump nas redes sociais."

O editorial surgiu em reação à recente guerra de palavras lançada pelo Presidente norte-americano contra o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, no rescaldo do atentado que, no sábado à noite, provocou sete mortos e 48 feridos na capital do Reino Unido — um atiçar de tensões que teve por base uma interpretação errónea das palavras de Khan depois do ataque e que ontem levou o autarca londrino a pedir ao governo britânico que cancele a visita oficial de Donald Trump ao país. (O Ministério dos Negócios Estrangeiros já reagiu, dizendo que não há motivos para cancelar a receção.)

No texto de opinião assinado pelo conselho editorial do jornal tendencialmente conservador— e por isso mais alinhado com o Partido Republicano que ajudou a eleger Trump — a direção do "Wall Street Journal" também critica o facto de o Presidente ter tentado capitalizar o ataque de sábado em Londres para avançar com a sua agenda anti-imigração. Esses tweets, sublinham, "minam o caso judicial" que "os próprios advogados do Departamento de Justiça" responsáveis por defenderem a administração "têm estado a construir meticulosamente" para conseguirem que o Supremo Tribunal aprove o decreto que Trump promulgou para impedir a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos EUA — e que uma série de tribunais federais suspenderam temporariamente por ser "discriminatório".

A concluir o texto, os diretores e editores dizem que a contínua inépcia do atual líder norte-americano só vai continuar a assustar mais e mais "gente inteligente e qualificada" que poderia vir a trabalhar na Casa Branca – algo que já está a acontecer agora que o governo se está a preparar para a antecipada audiência de James Comey no Senado, o ex-diretor do FBI que Trump despediu dias depois de este ter pedido mais fundos ao Departamento de Justiça para avançar com a investigação às suspeitas de conluio entre os russos e a equipa do agora Presidente americano para influenciar o resultado das presidenciais (essa audiência está marcada para amanhã).

Em última instância, referem, a administração vai ficar reduzida "a mais ninguém que não a sua família e os funcionários do Breitbart", o jornal de extrema-direita fundado por um dos conselheiros do Presidente, Steve Bannon. "Há cada vez mais provas de que o opositor mais eficaz à presidência Trump é Donald J. Trump."