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Último dia da campanha britânica sob o fantasma da insegurança

BEN STANSALL/GETTY

Theresa May diz que se as leis dos direitos humanos impedirem o derrube da ameaça do extremismo islâmico irá avançar para a mudança da legislação. Os opositores acusam-na de estar a pôr em causa os direitos dos cidadãos com o seu jogo político

A questão da insegurança levantada pelos atentados em Manchester e Londres por extremistas islâmicos paira sobre o final da campanha para as legislativas britânicas que termina esta quarta-feira.

Durante a manhã, a primeira-ministra Theresa May e o seu marido Philip tiveram uma má receção num mercado de carne de Londres. À sua chegada populares gritaram: “votem Trabalhista”.

May anunciou há sete semanas a antecipação das eleições, na tentativa de conseguir um reforço da maioria do Partido Conservador. A primeira-ministra alegou que os britânicos precisavam de manifestar-lhe o seu apoio para garantir maior autoridade nas negociações do Brexit com Bruxelas, mas ao longo da campanha a distância para o Partido Trabalhista de Jeremy Corbyn tem vindo a encurtar-se.

As sondagens continuam a dar-lhe a vitória mas, mesmo que tal se verifique, caso venha a diminuir a maioria de doze lugares que o seu antecessor David Cameron conquistara, a sua estratégia terá falhado.

As últimas sondagens dão-lhe entre 12 e 1 pontos de vantagem. Antes das urnas abrirem às 6h de quinta-feira (7h em Lisboa) ainda vão ser divulgadas pelo menos mais cinco sondagens.

“Deem-me o vosso apoio nas urnas amanhã para lutar pela Grã-Bretanha em Bruxelas. Façam essas negociações falharem e as consequências serão terríveis”, afirmou May.

O seu principal opositor, Jeremy Corbyn, acusara-a de ter comprometido a segurança do país ao reduzir o número de polícias nas ruas.

May ripostou numa entrevista ao “Sun”, tabloide que apoia os conservadores, onde disse que irá levar a cabo uma batalha para eliminar os extremistas islâmicos e reforçar as capacidades policiais.

“Caso as leis dos direitos humanos surjam como um entrave para conseguir fazê-lo, nós vamos mudar essas leis”, declarou.

Dois dos três atacantes da Ponte de Londres já estavam referenciados pelas autoridades, antes dos atentados de sábado.

A Itália indicou que, depois de Youssef Zaghba se ter mudado para Inglaterra, alertara sobre o risco que o homem poderia representar para o país, enquanto Khuram Butt era considerado suspeito pelos serviços de segurança britânicos.

Os opositores acusam May de estar pôr em causa os direitos dos cidadãos com o seu jogo político.

“Muitos de nós vão ver isto pelo que é, ou seja, uma reles tentativa de última hora de desviar as atenções de questões muito mais difíceis em torno da nossa política antiterrorismo”, comentou o ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg, do Partido Liberal Democrata, citado pela agência Reuters.