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Atacante de Notre-Dame jurou fidelidade ao Daesh

MIGUEL MEDINA/GETTY

A polícia francesa encontrou um vídeo onde o estudante argelino que esta terça-feira agrediu um polícia com um martelo, junto à catedral de Notre-Dame, em Paris, jurou lealdade ao autoproclamado Estado Islâmico. Autoridades, vizinhos e professores garantem que não houve sinais de radicalização

Durante as buscas à casa de Farid Ikken, a polícia francesa encontrou um vídeo onde o estudante argelino que atacou esta terça-feira com um martelo um polícia junto à catedral de Notre-Dame jura fidelidade ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). A notícia é avançada pela AFP, que cita fontes próximas da investigação. As autoridades francesas garantem contudo que nunca houve sinais suspeitos por parte do estudante, que foi colocado em detenção hospitalar.

A viver em França desde março de 2014, Farid, de 40 anos, é casado com uma sueca. O estudante argelino estava a fazer uma tese de doutoramento na Universidade de Metz, sobre os meios de comunicação social e as eleições nos países do Norte de África, e segundo o reitor da universidade nunca foram detetados sinais suspeitos de radicalização.

Licenciado em Jornalismo pela Universidade de Estocolmo, Farid chegou a trabalhar numa rádio sueca, contribuindo ainda com colaborações para o jornal argelino “El Watan”. O estudante chegou também a fazer traduções de árabe na Suécia, segundo a mesma fonte.

O supervisor da sua tese descreve Farid como um estudante calmo, afável e aplicado. “Quando o conheci era alguém pró-ocidental e fiel aos valores de democracia, que acreditava na missão dos meios de comunicação”, disse Arnaud Mercier em declarações à BFM TV.

Segundo o professor universitário, não houve sinais de radicalização, tendo apenas percebido que o estudante era muçulmano quando uma vez, ao almoço, recusou beber álcool.

Olhando para trás, Arnaud Mercier lembra-se apenas que o estudante deixou de participar nas reuniões a partir de novembro, remetendo-se mais ao silêncio. “Poderá ter havido aí, sem dúvida, um movimento de rutura”, observa.

Também os vizinhos do atacante o descrevem como um homem discreto, que nunca levantou problemas na comunidade de Cergy, em Val-d’Oise.

Segundo o ministro do Interior francês, quando o estudante argelino levantou o braço para atacar o polícia com um martelo gritou “isto é pela Síria”. Entretanto, fontes próximas da investigação revelaram que o indivíduo declarou ser um “soldado do califado”.

Também o porta-voz do governo francês Christophe Castaner afirma que não houve sinais de radicalização por parte do estudante, e que tudo leva a crer que terá atuado sozinho, sem a ajuda de cúmplices. O atacante ficou ferido no abdómen, pernas e peito, enquanto o polícia apresenta ferimentos ligeiros.

  • O dia em que a violência regressou a Paris

    “Isto é pela Síria”, gritou um estudante argelino antes de atacar um polícia com um martelo junto à Catedral de Notre-Dame, em Paris. O agente ficou com ferimentos ligeiros devido à rápida ação de um colega de patrulha que conseguiu travar o atacante. Mais de 900 turistas estiveram fechados na Catedral durante mais de uma hora e foram revistados à saída