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Internacional

Operação militar nas Filipinas contra “o emirado do Sudeste Asiático”

Soldado filipino participa na operação contra um grupo que jurou lealdade ao Daesh, em Marawi

Romeo Ranoco / Reuters

Pressionado na Síria e no Iraque, o Daesh busca novas bases regionais. Uma delas, numa cidade no sul da ilha de Mindanao (Filipinas), está a ser varrida pelas forças de segurança filipinas, que ali já encontraram milhões em dinheiro vivo e enfrentam táticas de combate que parecem saídas de filmes

Margarida Mota

Jornalista

Militares filipinos encontraram uma pequena fortuna num local abandonado por militantes islamitas afetos ao autodenominado Estado Islâmico (Daesh), na ilha de Mindanao. Entre pacotes de notas e de cheques, as autoridades contabilizaram 79 milhões de pesos (1,4 milhões de euros).

“Isto mostra que eles estão bem relacionados. Têm apoiantes, têm simpatizantes e financiamento de organizações terroristas internacionais”, afirmou Jo-Ar Herrera, porta-voz da força militar em missão em Marawi, citado esta terça-feira pela publicação “The Straits Times”.

A cidade foi tomada no passado dia 23 de maio por centenas de militantes, a maioria pertencente ao grupo Maute, que jurou lealdade ao Daesh. Cerca de 40 eram estrangeiros, das vizinhas Indonésia e Malásia e também da Índia, Arábia Saudita, Marrocos e da região russa da Chechénia.

Na segunda-feira, o polémico Presidente Rodrigo Duterte ofereceu uma recompensa de 10 milhões de pesos (180 mil euros) pela neutralização de Isnilon Hapilon, 51 anos, reconhecido pelo Daesh como “emir” do Sudeste Asiático. Hapilon é um antigo líder do grupo separatista fundamentalista islâmico Abu Sayyaf, criado nos anos 90.

Após duas semanas de intensos combates, os jiadistas foram encurralados numa área a sul da ilha. Nas últimas horas, os militares tomaram vários edifícios que estavam a ser defendidos por atiradores furtivos. O dinheiro encontrado estava numa dessas casas.

Segundo a agência Reuters, os combatentes prepararam-se para uma longa batalha, armazenando armas e alimentos em túneis, caves, mesquitas e escolas religiosas (madrassas).

Inspirados em filmes de guerra

A operação militar envolve bombardeamentos aéreos e fogo de artilharia por parte das forças militares filipinas. Os progressos tem sido lentos devido à existência de centenas de civis, paredes meias com os jiadistas.

“Eles têm atiradores furtivos e as suas posições estão bem defendidas”, afirmou o major Rowan Rimas. “Talvez vejam muitos filmes de guerra, ou filmes de ação, de onde copiaram algumas táticas.”

Os últimos números de vítimas mortais dão conta de 120 jiadistas, 39 membros das forças de segurança e entre 20 e 38 civis.

A “batalha por Marawi” acontece numa altura em que crescem receios de que o Daesh — em perda na Síria e no Iraque — estejam a implantar-se em novas bases regionais, nomeadamente na ilha de Mindanao. As Filipinas são um país de maioria católica, mas Marawi é esmagadoramente muçulmana.