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O dia em que a violência regressou a Paris

YOAN VALAT/ EPA

“Isto é pela Síria”, gritou um estudante argelino antes de atacar um polícia com um martelo junto à Catedral de Notre-Dame, em Paris. O agente ficou com ferimentos ligeiros devido à rápida ação de um colega de patrulha que conseguiu travar o atacante. Mais de 900 turistas estiveram fechados na Catedral durante mais de uma hora e foram revistados à saída

A zona de Notre-Dame, bem no centro de Paris, é uma mais visitadas pelos turistas e está sempre entupida de gente. Eram 15h20 (16h20, em Lisboa) desta terça-feira quando um argelino correu e, pelas costas, atacou um dos agentes que patrulhava o local. A imediata reação das autoridades impediu que pudesse acontecer pior. Mas o gesto de mais um ataque fica cravado na cidade. Este foi o dia em que, outra vez, a luz de Paris foi manchada pela violência que teima em não dar tréguas.

Quando levantou o braço para atacar o polícia com um martelo, contou o ministro do Interior francês, Gérard Collomb, o atacante, cuja identidade ainda não foi revelada, gritou bem alto “isto é pela Síria”. Nesse momento, o segundo polícia puxou da arma e disparou, deixando o atacante ferido no abdómen, pernas e peito. Está em estado grave e foi levado para o hospital nos arredores de Paris. O polícia atacado ficou com ferimentos ligeiros.

A zona de Notre-Dame é muito frequentada por turistas

A zona de Notre-Dame é muito frequentada por turistas

YOAN VALAT/ EPA

“Trata-se de alguém que se apresentou como um estudante argelino, estava na posse de um documento de identificação, cuja autenticidade vamos verificar", confirmou o ministro. Segundo escreve a imprensa francesa, o atacante tem 40 anos e estava no país com um visto de estudante. Além do martelo, o homem estava ainda armado com duas facas de cozinha.

“O polícia alvo da agressão encontra-se bem, os ferimentos não são muito graves. O atentado poderia ter sido pior”, acrescentou Collomb.

Enquanto tudo isto acontecia do lado de fora, lá dentro na Catedral cerca de 900 pessoas não sabiam bem o que estava a acontecer. Ficaram fechadas por mais de uma hora como forma de precaução. “Tudo de mãos no ar”, ordenou a polícia, que quis certificar-se que ninguém ali representava perigo. Só mais tarde tiveram autorização para sair. Um a um e não sem antes serem revistados.

Aconteceu tudo muito rápido e, duas horas após o alerta, a polícia dava como terminada a operação no local. “Aparentemente, agiu sozinho”, referiu que o ministro do interior francês, em conferência de imprensa, acrescentando que devido ao que o atacante gritou, o caso está agora nas mãos da procuradoria da República. O inquérito já foi aberto.

Como medida de precaução, a estação de metro de Saint-Michel, a pouco mais de 400 metros da Catedral, foi encerrada. Deslocou-se para lá forte dispositivo de segurança, com dezenas de agentes, viaturas da polícia e ambulâncias.

O ministro do interior no final da operação policial

O ministro do interior no final da operação policial

YOAN VALAT/ EPA

Ainda não se sabe o que terá motivado o argelino, mas a palavra “terrorismo” esteve presente na conferência de imprensa. “Passámos de uma terrorismo sofisticado para um terrorismo em que qualquer ferramenta ou objeto pode ser usado para levar a acabo um ataque”, considerou Collomb.

Mais tarde, segundo escreve o jornal francês “Le Figaro”, citando fonte próxima da investigação, o atacante terá dito ser “um soldado do califado”, uma expressão utilizada por pessoas associadas ou simpatizantes com a ideologia do Daesh.

França está em estado de emergência desde novembro de 2015, após ataques terroristas reivindicados pelo Daesh que fizeram 130 mortos. A Catedral de Notre-Dame é um dos monumentos mais emblemáticos de Paris, contando todos os anos com a visita de 13 milhões de turistas.