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Manifestantes anti-Trump enfrentam penas de prisão até 80 anos

Protesto em frente à Casa Branca, no dia seguinte à tomada de posse de Donald Trump

Lucas Jackson / Reuters

Mais de 200 manifestantes anti-Trump enfrentam acusações de crime que podem levar até penas de prisão de 70 a 80 anos. Em causa estão ainda protestos contra a tomada de posse do novo Presidente dos Estados Unidos, no dia 20 de janeiro

No primeiro dia da presidência de Donald Trump, a 20 de janeiro, milhares de pessoas viajaram de todo o território dos Estados Unidos para Washington D.C. com o objetivo de protestar contra a tomada de posse do novo Presidente norte-americano.

Durante a cerimónia, mais de 230 manifestantes foram presos quando agentes do Departamento da Polícia Metropolitana (MPD) bloquearam e retiraram as pessoas da área.

As detenções começaram após os anarquistas do Black Bloc e elementos antifascistas entrarem em confronto com a polícia. Os agentes dispararam balas de borracha e gás lacrimogéneo contra os manifestantes. Os cânticos anti-Trump foram ocasionalmente abafados por granadas de som e bombas de fumo.

“Nunca na minha vida tive uma experiência tão dolorosa e stressante. Não há palavras para transmitir a gravidade disto", testemunhou Olivia Alsip, uma das manifestantes que foi presa, citada pela Al-Jazeera. Diz ainda que a forma como os manifestantes foram tratados naquele dia foi “desumana”. “Fomos abatidos, tratados como animais e foram-nos negados direitos humanos básicos e a dignidade.”

No dia 21 de Janeiro, a maioria dos 230 manifestantes e transeuntes presos no dia anterior, foram acusados de tumultos criminosos, que podem levar a uma pena de prisão máxima de 10 anos e uma multa de 25 mil dólares (aproximadamente 22 mil euros).

A 27 de abril, o Tribunal Superior do Distrito de Columbia devolveu uma acusação de substituição somando encargos adicionais a cerca de 212 acusados.

Com novas acusações de crime, incluindo instigação à realização de distúrbios, conspiração e destruição de propriedade, muitos dos acusados enfrentam até 80 anos de prisão. Outros réus, entre eles jornalistas, enfrentam mais de 70 anos.

Alguns dos réus fizeram acordos com as autoridades e apresentaram notas de culpa em troca de sentenças significativamente mais curtas. Na sexta-feira passada, 21 arguidos apresentaram moções para que os seus processos fossem rejeitados.

“Estou bastante impressionada com o impacto que teve na minha vida pessoal”, explica Olivia, afirmando que a ideia de ser inocente até que se prove o contrário não é correta. "Parece que ser inocente até a culpa ser provada é uma ideia falsa.”

Outro dos fatores negativos passa pelos custos legais e de viagem que estão a colocar um imenso peso nos acusados. Olivia Aslip acrescenta: “A maioria de nós não tem muito dinheiro”. E, geralmente, lutamos “contra os ricos porque somos economicamente ou politicamente desfavorecidos”.