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EUA apelam à China que liberte ativistas que investigaram fábricas de sapatos Ivanka Trump

Spencer Platt/GETTY

Os três ativistas estavam prestes a divulgar um relatório denunciando a violação dos direitos dos trabalhadores de duas fábricas chinesas que produzem sapatos da marca da filha do Presidente norte-americano, assim como para outras marcas ocidentais

O departamento de Estado norte-americano apelou à China para que liberte três ativistas que investigaram abusos cometidos em fábricas chinesas que produzem sapatos Ivanka Trump, assim como artigos de outras marcas ocidentais.

“Nós estamos preocupados com informações de que as autoridades chinesas detiveram o ativista dos direitos dos trabalhadores Hua Haifeng. E dois outros ativistas laborais — Su Heng Li Zhao — estão desaparecidos e presumivelmente detidos”, declarou Alicia Edwards, porta-voz do departamento de Estado. “Apelamos à China para que os liberte de imediato ou que, pelo menos, lhes assegure as proteções judiciais e [garantias] de um julgamento justo a que têm direito”, acrescentou.

Pagamento abaixo do salário mínimo legal na China, abusos verbais dos trabalhadores por parte dos encarregados e “violações dos direitos das mulheres” são as violações encontradas na investigação que levaram a cabo e que constariam no relatório que estavam a preparar-se para divulgar, segundo indicou o Observatório Laboral da China, a organização não governamental sedeada em Nova Iorque a que os ativistas pertencem.

Hua Haifeng foi detido na província de Jiangxi sob suspeita de uso de equipamento de vigilância ilegal.

Conjuntamente com Li Zhao, trabalhara de forma incógnita numa fábrica de sapatos da cidade de Dongguan, no sul da província de Guangdong, que pertence ao Grupo Huajian. O terceiro investigador, Su Heng, trabalhou numa fábrica da cidade de Ganzhou em Jiangxi.

Ambas as fábricas produzem sapatos da marca da filha do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Tanto a Casa Branca como o advogado de Ivanka Trump não responderam aos pedidos de esclarecimentos sobre o caso efetuados pela agência Reuters.

A porta-voz do departamento de Estado norte-americano realçou a importância que os ativistas laborais têm tido no auxílio às empresas norte-americanas para a compreensão das condições existentes nas suas cadeias de fornecimento na China.

O advogado de Hua Haifeng foi impedido esta semana de o ver no centro de detenção onde se encontra, sob o pretexto do seu cliente “ter sofrido um acidente na sua cela”, indicou a Radio Free Asia.

O Observatório Laboral da China tem levado a cabo investigações, com agentes que atuam de forma incógnita, ao longo de cerca de 17 anos na China, mas esta foi a primeira vez que membros da organização foram detidos.

A Amnistia Internacional apelou à libertação dos três ativistas caso eles tenham sido detidos apenas por investigarem possíveis abusos laborais nas fábricas.