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Detida alegada autora de fuga de informação sobre ingerência russa nas eleições dos EUA

REUTERS

Reality Leigh Winner, de 25 anos, que estava a trabalhar para a Agência de Segurança Nacional (NSA) desde fevereiro, foi detida no sábado sob acusações de remover ilegalmente material confidencial de um edifício do governo federal na Georgia

Uma funcionária subcontratada pelo governo federal dos Estados Unidos foi detida no sábado passado sob suspeita de estar por trás de uma das várias fugas de informação que têm varrido a administração de Donald Trump desde a sua tomada de posse em janeiro, no caso sobre a alegada ingerência do governo russo nas eleições presidenciais que, em novembro de 2016, deram a vitória ao empresário.

Reality Leigh Winner, de 25 anos, é acusada de ter removido material confidencial de um edifício estatal na Georgia e de o ter passado ao site “The Intercept”. A sua detenção aconteceu dias antes de aquele site — fundado pelo jornalista Glenn Grennwald no rescaldo das primeiras denúncias de Edward Snowden sobre programas secretos de vigilância massiva de cidadãos da Agência de Segurança Nacional (NSA) — ter publicado um briefing da NSA sobre a alegada ingerência russa.

Winner é a primeira pessoa a ser detida por fugas de informação desde que a administração Trump prometeu capturar todos os delatores que têm estado a passar informações à imprensa. Segundo a NBC News, o Departamento de Justiça já confirmou que a funcionária da Pluribus International Corporation, subcontratada pela NSA desde fevereiro, foi detida a 3 de junho. O mesmo canal aponta que a ré deverá ser julgada pela "recolha, transmissão e perda de informações de Defesa".

No documento publicado pelo “The Intercept” na segunda-feira, é alegado que os serviços de informação do Exército russo tentaram executar ciberataques contra pelo menos um software de votação norte-americano dias antes das eleições presidenciais de 8 de novembro. No mesmo briefing da NSA, os russos são acusados de exercerem pressão sobre mais de 100 autoridades eleitorais locais através de uma campanha de phishing, enviando emails a esses indivíduos com o objetivo de “pescar” informações e dados pessoais importantes através de mensagens falsas.

Nada no documento indica que as autoridades russas tenham alcançado esse objetivo, com os media a avançarem que o documento estava marcado para continuar confidencial pelo menos até maio de 2042. As secretas dos EUA têm acusado o Kremlin de tentar interferir nas eleições para garantir a vitória de Trump sobre a rival democrata, Hillary Clinton. O FBI e várias comissões das duas câmaras do Congresso norte-americano estão a investigar as alegações e as suspeitas de conluio entre o governo russo e a equipa de Trump.

No âmbito desses inquéritos, o ex-diretor do FBI, James Comey — que foi despedido pelo Presidente dias depois de ter pedido mais fundos ao Departamento de Justiça para as investigações em curso — vai ao Senado na próxima quinta-feira prestar depoimentos. Fontes próximas do ex-chefe da secreta dizem que Comey vai confirmar que o Presidente o pressionou para que abandonasse uma das investigações, que tem como principal alvo o ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn — o homem que foi forçado a resignar ao cargo em fevereiro, depois de ter sido denunciado que manteve contactos ilegais com o embaixador russo em Washington.

Os democratas e alguns legisladores republicanos acusam o Presidente de obstrução à Justiça, uma suspeita que, a ganhar força, poderá levar à abertura de um processo de destituição contra Trump. A administração continua a defender que as acusações são "notícias falsas" e que o "verdadeiro escândalo" é a quantidade de informações confidenciais e privadas que têm sido passadas aos jornalistas desde a tomada de posse.