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Atentado de Londres. Autoridades defendem decisão de não investigar um dos suspeitos

Mark Rowley, comissário assistente da Polícia Metropolitana de Londres, à chegada a Downing Street

Leon Neal

“Não havia informações que sugerissem que este ataque estava a ser planeado e a investigação foi priorizada de acordo com isso”, garante Mark Rowley, comissário assistente da polícia metropolitana de Londres

A polícia londrina defendeu esta terça-feira a sua decisão de, em 2015, abandonar um inquérito a um dos três suspeitos do ataque que, no sábado, provocou sete mortos e quase 50 feridos na ponte de Londres e numa zona de diversão noturna, perto do mercado de Borough.

Há dois anos, explicou esta manhã o comissário assistente da polícia metropolitana de Londres, foi aberta uma investigação a Khuram Butt, um britânico de 27 anos de ascendência paquistanesa que vivia em Barking e que, na altura, captou a atenção das autoridades, em particular do MI5. Mas “não havia informações que sugerissem que este ataque estava a ser planeado”, pelo que “a investigação foi priorizada de acordo com isso”, disse Mark Rowley. “O inquérito foi priorizado aos níveis mais baixos do nosso trabalho investigativo” por causa dessa ausência de dados concretos.

Questionado sobre se essa foi uma má decisão, Rowley disse que ainda não viu nada que sugira isso, avança o correspondente da BBC para os assuntos internos do Reino Unido. Facto é, acrescentou o comissário da polícia, que há cerca de 500 investigações ativas de contraterrorismo sempre em curso envolvendo três mil pessoas de interesse. No rescaldo do ataque de sábado, sublinhou ainda o chefe da polícia, o trabalho das autoridades passa por continuar a apurar mais informações sobre os suspeitos, “as suas ligações e se foram apoiados por outras pessoas”.

As declarações de Rowley surgem um dia depois de a polícia ter revelado as identidades de dois dos três homens suspeitos de executarem o ataque, e no rescaldo da libertação das 12 pessoas que, no domingo, tinham sido detidas pelas autoridades para interrogatório.

A par de Butt e de um terceiro homem ainda não identificado, o ataque está a ser também atribuído a Rachid Redouane, um homem de 30 anos que também vivia em Barking e que, segundo a polícia, tinha ascendência marroquina e líbia. Redouane era um chefe de cozinha também conhecido pelo nome Rachid Elkhdar. Apenas Butt já era conhecido pela polícia antes do ataque.

Os três homens foram abatidos pela polícia no espaço de oito minutos depois de, na noite de sábado, terem abalroado pedestres na Ponte de Londres com uma carrinha branca, antes de saírem do veículo e atacarem transeuntes com facas na zona do mercado de Borough.

Butt, o suspeito que já estava no radar das autoridades, tinha surgido num documentário do canal 4, transmitido no ano passado, sobre uma rede de extremistas ligados a Anjem Choudary, clérigo que, em agosto de 2016, foi condenado por um tribunal britânico a cinco anos e seis meses de prisão efetiva por apoiar o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh).

Casado e pai de dois filhos, Butt apareceu nessa reportagem a discutir com agentes da polícia na rua depois de hastear a bandeira negra do Daesh num parque londrino. Antes disso, duas pessoas que viviam em Barking, no leste de Londres, e que contactaram com o homem tentaram avisar a polícia sobre o seu discurso cada vez mais radicalizado. Em 2015, um homem ligou para a linha de apoio contra o terrorismo para alertar a polícia e uma mulher decidiu ir diretamente à esquadra da polícia local porque, aponta a BBC, receava que Butt tentasse radicalizar os seus filhos.

Neste momento, 36 dos 48 feridos no ataque continuam internados no hospital, 18 deles em estado crítico, avançaram os serviços centrais do Sistema Nacional de Saúde britânico. Dentro de dois dias, na próxima quinta-feira, os britânicos voltam às urnas para escolher o seu próximo governo, depois de em abril Theresa May ter decidido antecipar as legislativas para este mês.

Desde o ataque, a segurança e o policiamento do Reino Unido têm dominado a retórica política, com o Partido Trabalhista, o principal da oposição, a acusar o governo conservador de pôr em causa as capacidades e recursos das autoridades com a adoção de medidas de austeridade, entre elas cortes no orçamento da polícia.

Antes de suceder a David Cameron na chefia do governo, depois da vitória do Brexit no referendo de há um ano, May era ministra do Interior e, acusam os trabalhistas, foi ela a responsável pelo decréscimo do número de agentes disponíveis para garantirem a segurança dos britânicos nos últimos anos.